Estoques em labirinto e  conhecimento em fluxo

labirinto

“Um labirinto é uma defesa,

muitas vezes uma defesa mágica,

para guardar um centro, um tesouro

um significado”

Em meu trabalho nestes anos acredito que a informação sintoniza o mundo, pois referencia o homem  ao seu passado histórico,  às suas cognições prévias    colocando-o  em um ponto do presente com uma memória do passado e uma perspectiva do  futuro.

Independente de qualquer avaliação de qualidade, estoques de informação serão sempre acervos estáticos e sem condição de movimento: são recursos aterrados para uma ação de conhecimento, que ocorre quando,  depois de disseminados por uma transferência há uma aceitação cognitiva. A sua  condição de estática expectativa fica revelada em nosso falar atual: “Vou entrar em um arquivo”; a ideia de viagem e de ingresso em direção no local da informação mostra  a  circunstância da serena espera dos estoques para possibilitar uma ação maior.  Nessa possibilidade estoques de informação podem criar conhecimento na consciência do individuo desde transferidos e elaborados em um saber acumulado de cognições previas. Mas o sereno estoque denota e estática espera.

Já o conhecimento é um fluxo de eventos que utilizando o saber acumulado entrelaça fragmentos para formar algo novo e que se agrega ao fim deste movido percurso. O conhecimento é viajante e desaparece após cumprir sua finalidade como uma onda que agitou deixando partículas de informação em descanso. Tem a evanescência dos fantasmas. Entrar em um arquivo expõe a condição de labirinto da memória. O viajante em um arquivo nunca tem uma visão de cima para baixo,  para como um  ser avoante,  para ver as tramoias,  os caminhos certos para a informação desejada.  Há que se percorrer as alamedas para conhecer o labirinto.

O labirinto tem maquinações mágicas:  ou é o visível, como um espaço que delimita  o que está aparente e  é conhecido normatizado e aterrado em uma realidade sensível  ou é  o recinto  do invisível na  potencialidade do trançado das coisas que defende e guarda. No labirinto o minotauro defende os conteúdos estabelecidos e conduzidos pelo fio que o fluxo do conhecer permitiu encontrar e estruturar. No labirinto da consciência o saber é estoque o conhecimento é fluxo e o acervo o esconderijo mágico dos  significados.

Assim, o  labirinto  indica  escolhas alternativas, quando os caminhos convergem a um ponto focal e estável  de  mudança  dentro do  espaço aterrado e regulado do acervo percorrido.  Mas o labirinto  invisível  é como uma onda de partículas  que se animou  no emaranhado em que cada ponto pode ter conexão com qualquer outro ponto. Não é possível desenrolá-lo com o fio de Ariadne, pois não tem interior ou exterior estabelecido. Pode ser finito ou infinito e em ambos os casos cada uma das partículas de sua formação pode ser ligada a qualquer outra e o seu próprio processo de conexão é um contínuo processo de correção destas conexões.

Este é o labirinto das ondas digitais da informação em rede e da intertextualidade. Das estruturas interconectadas onde o conhecimento fluxo opera por associações  de um pensamento divergente para formar significados em um mundo sem terrenos. Se a Informação e estoques e o conhecimento é fluxo seria conceitualmente inapropriado confundir um com os outro,  pois um é o viajante  e outro a estrada.

AAB

[revisto de publicação de 2009]

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