A estética do conhecimento

estetica

A estética do conhecimento, como à diversidade de emoções e sentimentos que ele suscita é a sensibilidade para apreender o mundo; uma emoção que tenuemente precede a percepção e representa um sentimento da momentaneidade do eu avaliando o mundo.

Os sentidos têm a função de nos fazer qualificar o percebido por uma compreensão dos objetos e uma confiança em sua existência; uma sensação que sempre acompanha a percepção. Ao cheirar uma rosa seu odor esta inscrito na flor que na rosa percebo ao sentir se cheiro a coisa. Há nesta intervenção a sensação que precede a percepção como o :”o olho não pode deixar de ver: Não podemos calar o ouvido. Nossos corpos sentem, onde quer que estejam, contra ou com a nossa vontade” [1]

O possivel ou impossível suporte de inscrição de uma sensação pauta o regime de nossa conscência e sempre queremos que as inscrições digam mais que o permitido pelos seus códigos. Há, assim, uma enorme vontade de multiplicar discursos para qualificar o perceber . Discursos crescentes que se acumulam em estoques: mas este quantum armazenado sendo uma condição estática é um componente indispensável para a realização do ato de conhecer em si.

Para que o conhecimento opere é necessária a transferência dos “significados em armazém” para a realidade dos receptores em uma conjuntura favorável de comunicação. Nesse momento nada é mais total que a interação com a tecnologia da escrita e seu deciframento adequado, pois nada é mais subjetivo, privado e individual que a sensação que precede a assimilação. Este processo é diferenciado e oculto, revelado a cada pessoa e cada apropriação é dela somente dela, de mais ninguém. É este enfim o lugar do conhecimento: a consciência individualizada que apreende um significado que lhe é destinado por peripécias de um punhado de palavras?

Só entendo o conhecimento como sendo uma passagem, um fluxo de percepções amoldadas pela mente no espaço de uma subjetividade. É um caminho pessoal e distinguido e revela um ritual de interações entre um sujeito e uma determinada estrutura de informação tendo como mediadora a interface da linguagem. È quase como mágica. Uma revelação.

Roland Barthes nos fala deste momento com a indicação do “Ma” a relação de separação entre dois instantes, dois lugares dois estados uma coisa unica que acontece e o que Barthes Chama de “Utsori” o exato momento em que as flor vai desabrochar ou em que a alma está como que suspensa entre dois estados. O momento de apreenção do conhecimento.

Esta apropriação representa, então, um conjunto de atos voluntários, pelo qual o indivíduo reelabora o seu mundo modificando seu universo simbólico. É uma criação elaborada com suas cognições prévias, um início daquilo que nunca iniciou antes, mas que encadeará sempre uma consequência, ainda que, aconteça um retorno para ao estado inicial.

Nele píxeis de raios catodos como vagalumes acendem e apagam como na criação do pensamento Um fluxo que finaliza no início e o seu acabamento tem uma evanescencia de fantasmas, pois “o pensamento nada mais é que uma onda elétrica pequenininha se espalhando pelo cérebro numa escala de tempo de milissegundos” [3 ].

Esta relação a informação escrita vive no continuum do perceber ao conhecer. Os enunciados são contingentes e acontecem em uma mensagem com uma mediação gráfica da linguagem comum, mas diferenciada em para cada contexto de comunicação. A escrita é a tecnologia que reflete mas não se subordina a um código imutável. Um texto é conjunto de expressões escritas em uma base com toda a multiplicidade de configurações de uma língua ou que uma lingua ainda não definiu. O discurso de significação é uma elaboração do autor, mas quando difundido acresce sua amplitude:com a leitura, o a sua interpretação e reconstrução pelo leitor.

A escrita deu ao homem valores visuais e ocasionou sua consciência sequencial facetada ao contrário dos espaços auditivos, onde o convívio em narrativa era mediado pela distância das ondas circulares de som. A tipografia fez o homem com um pensamento linear e sequencial e ele qualificou, organizou e classificou as suas informações em modo hierárquico, em uma série contínua de graus, escalas, famílias, em ordem crescente ou decrescente.

Seja esta inscrição digital em em papel ou papiro, no arquivo ja domiciliado, em pedras arqueológicas museificada cada receptor deve percorrer os caminhos de sua percepção e interpretação em uma escrita livre das amarras dos controladores do código único. Estas são individualidades divergentes que no ato da percepção se separam para sempre.

Aldo de A Barreto

revisto e ampliado, 2015

[1] Wordswirth (1798) – “The Tables Turned” in Select Poems, Sharroc
[2]Barthe, A preparação do romance volume 1
[3] O pensamento nada mais é do que uma onda elétrica pequenininha, se espalhando pelo cérebro, numa escala de tempo de milissegundos. O que fizemos foi descobrir que é possível ler esses sinais… Miguel Nicolelis, neurocientista, em entrevista a Folha de São Paulo de 10 de junho 2009 [JC email da SBPC 3781,2009]

imagem de Leszek Paradowski

Um comentário em “A estética do conhecimento

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