Eu estou indo para Lecce

eu esto indo para Lecce

A estrutura do texto  escrito é uma construção e desconstrução de palavras colocadas e deslocadas. Uma estrutura de palavras é como ter elementos que se unem e formam um todo ordenado e com princípios lógicos, com coerência de raciocínio e de ideias. Uma narrativa possui características estruturais de linguagem que admitem  verificar suas unidades ou as partes que poderão representar o seu viés.

Como um pensamento singular o autor quer elaborar deu discurso buscando palavras únicas para formar seu enunciado, pois normalmente,  sempre quer colocar no viés da mensagem aquilo que  quer falar para se diferenciar seu texto. É no viés que um autor deixa a pista do que quer nos revelar.

O texto “Malogramos sempre ao falar do que amamos”, originalmente destinado a um colóquio sobre Stendhal em Milão foi o último  trabalho de Roland Barthes.  A segunda página de “Malogramos” estava em sua máquina de escrever em naquele fevereiro de 1980 quando Barthes aconteceu ser atropelado em frente ao College de France.

Barthes em “Malogramos” narra um episódio imaginário acontecido na estação de trem de Milão. Da plataforma, numa noite fria ele vê partir um trem destinado a cidade de Lecce na Itália e tomado por sua imaginação pensa estar indo a Lecce.  Como analogia eu me vejo em uma estação do metro no Rio como em um local fantástico e de fantasia.  Então eu vou de novo estar lá: “Deus como ainda sou louco nesta minha idade!” E acrescento o que em minha opinião é um hino aos que não conseguem ter o seu amor correspondido: “Porque esta magia da paixão esta sempre longe para mim esta sempre noutra parte”.

Eu vivi a minha vida aberto com amplitude para o amor. Procurei repassar este amor  aos que conviveram comigo e é nesta lembrança  que ainda vivo  melhor.  Mas creio que vim ao mundo para  cumprir uma uma maneira de viver  de amores não correspondidos. Contudo, eu nuca desisti.

Assim malogrei ao querer reciprocidade nos momentos que amei. E por isto para mim a bela Lecce ficará sempre muito longe, em outra parte. Mas, não me afligi neste processo e penso no manifesto de Sêneca, o filósofo que no ano quarenta da era cristã perdeu tudo:  amores,  amigos, carreira política e foi desterrado:

Jamais confiei na fortuna, disse. Todas as bênçãos que ela pensa derramou sobre mim  como o conhecimento, o prestígio e a admiração foram conquistados por mim mesmo.  Assim ela não pode retirar de mim o que não me concedeu.

(AAB,  com ajuda de textos queridos)

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