A economia das mídias pesadas

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Para praticamente todos os setores da economia e da sociedade,  os planejamentos, programas e políticas da década de 1990 ou anteriores, tiveram que ser adaptadas devido a uma condição superveniente que modificou o mundo: a Internet e sua configuração gráfica,  a Web. No meio acadêmico esta nova condição afetou, em alguma forma, todos os campos de conhecimento, mas atingiu primeiro e mais forte aqueles que lidam com informação, comunicação, documentos e documentação.

 

A proximidade do leitor com a disponibilização da informação na nova economia digital tem uma incrível força de indução para a modificação da edição e leitura de conteúdos antes em papel para a formatação digital. A demanda por textos digitais utiliza diferentes formas através de diferentes canais,  mas a proximidade ao receptor é uma vantagem. O público que consome informação também a produz agara com facilidade participativa. Há um novo curso na edição e distribuição de textos para o formato da escrita e da fruição da leitura que é diferente do existia no mundo antes  da Internet.

 

Vivemos uma atualidade sem perceber suas reais modificações, pois não existe um distanciamento adequado para que possamos vivenciar as mudanças que estão acontecendo. Estamos  em um momento do presente como encenando uma performance “brechtiana” onde nosso atuar contracena com o estranhamento de nosso personagem, pois a memoriza de sua “fala” é de uma realidade que está no futuro.

 

A velocidade nas transações e a  socialização da web interferiram em todas as atividades relacionadas à condição humana mudando  praticas de fazer por tradição. Esta ingerência aconteceu forte nas áreas relacionada com a geração, distribuição e uso da informação.  O conhecimento que marcou este campo nos últimos 50 anos continua, contudo,  evitando a entrada das práticas novas e quer seguir desempenhando seu ofício com a ideologia tradicional e apaixonada do mundo dos impressos em papel e tinta.  As novas condições de escrita e leitura digital revelam que alguns intermediários do passado  estarão fora da cadeia de comercialização e distribuição das narrativas digitais.

 

A produção de conteúdo digital colocou todo o sistema da economia da leitura em questão. Se não há nenhum artefato físico a ser processado para venda, o que determinaria o preço a ser dividido entre editor, autor e livraria e como ficaria todo o resto do trabalho que era executado pelas tradicionais plantas de produção editorial? A digitalização termina com a enorme estrutura voltada para a impressão em papel e tinta. O mundo digital prescinde do trabalho de uma casa de edição de grande tamanho.

 

Este assunto quando tratado em bases técnicas e econômicas, não é mais uma discussão baseada no sentimento de fidelidade a qualquer tipo de mídia; todos aqueles que tratam com a informação em uma condição profissional não podem por afetividade a um suporte  ignorar um futuro que se delineia definitivo. A tecnologia estabelecida luta sempre para continuar e tenta fechar o mercado para técnicas emergentes. Acontece com todas as inovações em todas as épocas; mas uma nova tecnologia quando aceita pela sociedade suplanta a antiga para sempre. O navio que afunda deveria transformar o acabamento em um belo baile, onde a celebração do novo seria  mais importantes que a tragédia em si.

 

Quem visitar o site da “Amazon”, agora estabelecida no nosso país,  conhecerá as facilidades do acesso aquisição e recebimento do conteúdo digital. O livro impresso, quando comprado no exterior,  pode levar até tinta dias para chegar a sua destinação, passa por  alfândegas, oceanos de distância e vários entraves burocráticos no destino, acumulando custos. A versão digital estará no computador na biblioteca em minutos após a compra e quase sem  intermediação.

 

Mas apesar de qualquer formato vale lembrar que a recepção positiva da informação é a finalização de um processo de aceitação da  que transcende o seu uso em qualquer base, é um ato de apropriação, uma percepção que atravessa visceralmente o sujeito na afetividade de uma conexão bem realizada.  Este é o destino final e raro do fenômeno do conhecimento ao criar condições modificadoras  e inovadoras para o indivíduo e sua vivência.  Fluxos apropriados pela consciência em um processo que se realiza no mais oculto de sua subjetividade.

 

Aldo de A Barreto

2014

Releia também: Eu sou o espetáculo :

http://avoantes.blogspot.com.br/2009/10/eu-sou-o-espetaculo.html

5 comentários em “A economia das mídias pesadas

  1. Muito esclarecedor Professor. A década de 90 foi realmente um marco em todas as áreas de negócios e pude observar de dentro do olho do furacão pois nesta época trabalhava ativamente com tecnologias de informação dentro do mercado editoral. Tive a oportunidade de implantar os primeiros sistemas de Desk Top Publishing no Brasil em algumas agências de propaganda, gráficas, editoras e jornais (nos velhos 386DX – 40Mhz e Macintosh´s). Me lembro que o pessoal de jornais editavam um artigo no PageMaker, imprimiam, recortavam o artigo e colavam os pedaços com a velha técnica do past-up para então fotolitar. Alguns ficaram desnorteados quando mostrei que bastava editar o jornal inteiro no PageMaker e mandar imprimir em telhas para que o jornal saísse inteiro no acetato, substituindo o fotolito. Hoje, o jornal sai direto nas impressoras através do CTP (computer to plate) mas isso também já está ficando ultrapassado. Agora é direto nos dispositivos dos leitores. Acho que estamos ainda tentando realizar as coisas com técnicas antigas. No texto só não concordo plenamente que as novas tecnologias substituem por completo as técnicas antigas. Ou melhor, até concordo mas para a total substituição vai uma janela de tempo muito grande!

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