A informação quando trazida a cavalo se alastra desacelerada…

giuseppe maiorana

Em entrevista a Revista Ñ do jornal O Clarin, Ricardo Piglia, escritor argentino da atualidade fala do “Elogio de la lentitud.”:

“A circulação da escrita parece alcançou uma velocidade extraordinária, mas o paradoxo é que o tempo de leitura não mudou. Lemos, hoje, como líamos no tempo de Aristóteles: vamos decifrando signo após signo e isto nos coloca em uma situação similar da época em que a circulação da escrita não era tão rápida”.

“O autor W. H. Hudson nos conta em “Allá lejos y hace tienpo” um livro de 1918 sua vida nos pampas argentinos e de como lhe chegavam para leitura os romances e depois de os ler, os emprestava para fazenda vizinha, cinco quilômetros adentro, que depois era emprestada a uma outra mais para frente. A escrita ia se alastrando a cavalo.” (J.Clarin, janeiro 2008) Em 2013 outro autor vinculado a uma consultoria americana escreve” O vicio da distração”, livro em que defendo os mesmo pontos de desacelerar a procura por conteúdos. [ ver em <http://oglobo.globo.com/tecnologia/quando-grande-curticao-desacelerar-coracao-mente-10444711>]

A Internet e a web vieram desestabilizar fortes interesses de velhas mídias e, também, padrões estabelecidos em todas as áreas do conhecimento. Uma nova tecnologia da informação desarticula práticas e teorias em todos os campos de atuação profissional. Isto gera desconforto, prejuízo e a crítica apadrinhada.  Acredito que estamos vivendo um novo modelo de acesso à informação. Estamos vivendo momentos fascinantes presenciando uma modificação nos modelos de comunicação entre os homens que vai transformando tudo ao seu redor.  Viver este tempo sem o percebimento do que esta acontecendo é uma perda lamentável em ser testemunha da sua própria história; da mudança que esta em se fazendo agora.

Os canais de transferência  de informação são diferentes hoje, em estrutura e velocidade;  a informação não vem mais a cavalo e a interatuação necessária para manter em contato emissor e receptor passa por um novo regime de transferência e por uma nova forma de escrever e de ler. Contudo, os tempos de acesso e reflexão para interiorizar conhecimento são completamente diferentes:  só o tempo de acesso à informação mudou na economia da velocidade e  é imediato;  o tempo para assimilar a informação é individual para cada receptor distinguido pela sua sensibilidade, foco e concentração para interagir e perceber os conteúdos.

A possibilidade da conexão imediata em tempo real modificou a condição de disponibilidade e acesso à informação, antes acervada em palácios de estoques, que podem tolher o livre acesso do usuário, até pela tensão psicologia gerada para adentrar seus inibidores portais.   A informação em estoques digitais é socialmente mais justa, pois amplia a inclusão informacional e a possibilidade de aceso a uma quantidade de conteúdo antes impensável ao usuário de menor condição sócio-econômica.

Há quem prefira andar a cavalo e os que fazem opção pelo avião.  O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem dizia Fernando Pessoa o poeta.

Aldo A Barreto

imagem de giuseppe maiorana

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