A ditadura do ser criativo

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A moda,  uso passageiro e consentido de padrões que regulam a nossa forma de vestir, calçar, pentear, existir influencia a vida em comum e nos marca em tribos vivenciais. Temos, também, palavras, conceitos que caem na moda e por algum tempo são utilizados com exagerada frequência e em todos os contextos. Na maior parte das vezes não se sabe o significado preciso daquela palavra,   mas sua aplicação por imitação é vasta e confusa. Este  é o caso atual da palavra  criatividade que nestes dias domina a referencia para conseguir um emprego, mudar dele, atuar como profissional, agir em casa,  com os amigos e até em nossa condição sexual.

 

Em meu entender criatividade tem a ver com a capacidade pessoal de utilização do imaginário:  suas agregações, analogias e projeções  –  para articular uma ação orientada a um fim que leve ao sucesso. Todos os sub-conceitos que utilizei acima são complexos  e quase impossíveis de serem mesurados.  Mas o conceito criatividade nos avalia para conseguir uma colocação de emprego, para progressão neste trabalho e galgar níveis gerenciais.  Nossas testemunhas  nos avaliam por este nossos suposto atuar. Todos temos testemunhas para certificar nosso ser criativo e a veracidade dos atos de sucesso. Cada um tem  várias e  diferentes  testemunhas: no emprego, na família, com os amigos, com os alunos, com seus leitores ou pares nas diversas comunidades de convivência.

 

Mas qual o índice de criatividade em que se baseiam os donos dos “recursos humanos” para conceder o emprego que pleiteamos ao sair da Universidade ou mesmo ao mudar de emprego ou obter melhores salários.  Creio que o julgador confunde o termo criatividade com alegria, extroversão, júbilo bem treinada para o trabalho da vaga aberta? Porque a criatividade se observa durante um período de tempo,  ela não está no momento zero. Se existem indícios ou qualidades necessárias para sua futura incorporação, estas podem ou não se confirmar. Então hoje somos escravos de um conceito  que não é bem definido e praticamente impossível de ser medido no ato?

 

Julgamento inadequado da condição de inteligência,  conhecimento, percepção, competição e criatividade pode formar uma ditadura na avaliação de nossa vida. Isto para atender ao interesse da moda ou de um marketing de atração pela novidade em ligação forte com o  modismo de ocasião. Em um mundo do espetáculo estes critérios difusos podem definir a pauta do julgamento certo ou errado para o olhar  estranho de quem avalia o nosso futuro.

 

Os modos de observar o mundo têm variado ao longo do tempo. Com a internet está prestigiada a ideia de que a criatividade vem do coletivo e é maior que as cadeias de pensamento de um só indivíduo. Estes espaços sociais unem fragmentos que podem alinhavar mosaicos para indicar a possibilidade de um operar mais criativo. Mas estas ideias, ainda, não chegaram nas práticas dos mediadores de alocação dos recursos  para a sociedade.

 

Espero que minhas testemunhas considerem  está crítica  criativa, considerando a coerência de ideias que tento alinhavar.

AAB

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