O professor entre o presente e o passado

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A liberdade é uma determinação fundamental da estrutura do mundo, do homem e da informação. Está nas zonas mais profundas de cada ser humano e de sua criação intelectual.  A liberdade de se construir alguma coisa pode se perder por inúmeras razões até pelo seu excesso de liberdade.  Mas estar livre, mas  aprisionado por desejo próprio pelas amarras do antigo, por medo de mudar, é fatal para a condição humana de qualquer profissional.

A Internet de tantos computadores conectados está livre dos intermediários fatais na comunicação da mensagem, hoje, um profissional pode ser o seu próprio publicador e disponibilizar seus escritos para julgamento de sua audiência.  O meio não determina  mais o valor da mensagem. A conectividade das conexões imediatas permite uma interatuação multitemporal com os fatos, ideias de um cotidiano profissional e global.

O professor tem agora sua missão muito mais vinculada ao ambiente das redes de convivência e a universidade está menos preocupada com a intensa especialização de seu corpo docente.  A condição do ensino está cada vez menos baseada na tarefa do mestre proferir palestras doutas em canto monótono e mais para a sua ação de guiar e interagir com estudantes.  O professor agora se assemelhará mais a um articulador de ideias e conteúdos; não é mais um mentor reproduzindo  discursos fixos e apostilados como verdade única. O professor em rede esta superconectado.*

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Resta saber se o professor e a universidade estão preparando os seus alunos para lidar com o formato dos conteúdos de amanhã em uma realidade onde não basta o computador como ferramenta e a internet como local de saber absoluto. E’ preciso uma transferência conduzida para um novo contexto de narrativas que estão em se formatando. Onde os documentos para o conhecimento podem ter uma estrutura fechada e acabada ou uma estrutura aberta e conversacional. Construímos  no quado abaixo alguma das possíveis diferenças entre os artefatos culturais abertos ou fechados**:

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Fonte: autor

Os profissionais docentes e os egressos de pouco tempo, pelo menos nas ciências humanas, estão embasados em repasse de conhecimentos com núcleos de conteúdo de até cinquenta anos atrás. Viver operacionalmente uma docência,  na atual  realidade de  liberdade  de acesso a informação,   sem um compromisso com as praticas modernas de ensino é uma triste permanência no passado. Até porque, grande parte da audiência em classe sabe que existem novos artifícios de ensino e os alunos saberão desconsiderar uma docência antiga como algo que não é atual.

As comunidades online modificaram drasticamente o modelo antigo de ensino e aprendizado. Os alunos agora estão conectados, em tempo real  durante a aula e têm acesso às informações online sobre o conteúdo do qual o professor esta discursando  e o poder de atualização passa de um para outro lado. São eles que julgam  a relevância do meio e a qualidade da mensagem naquele momento e criam a sua “opinião pública” no contexto do desenvolvimento da  aula.

“O homem é corda estendida entre o animal e o super-homem: uma corda sobre um abismo; perigosa travessia, perigoso caminhar, perigoso olhar para trás, perigoso tremer e parar. O grande do homem é ele ser uma ponte e não uma meta…. Eu só amo aqueles que sabem viver como que se extinguindo, porque são esses os que atravessam de um para o outro lado.”

As palavras do Zaratustra de Nietzsche são uma referência de posicionamento para o trabalhar com o ensino nesta atualidade. O profissional docente deve entender que se encontra em um ponto no presente entre o passado e o futuro. Convive com tarefas e técnicas tradicionais, mas precisa atravessar para outra realidade, onde já estão indo seus alunos e aprender a conviver com o novo e o inusitado.

Aldo A  Barreto

Notas:

* imagem de http://goo.gl/eAxuU

** Artefatos fechados são restritos pelo seu formato

São objetos de informação que se encontram explicitamente formatados e finalizados, por razões das características de sua estrutura ou por uma necessidade de integridade de seu formato. Seu conteúdo não pode e nem deve ser alterado após sua finalização. São exemplos deste tipo de objetos: livros, CDs, DVDs, artigos de periódicos impressos, imagens acabadas, documentos históricos , legais ou contratuais, etc. .
Não é a forma que determina a sua completeza, mas a impossibilidade de interatuação dinâmica com este documento após sua finalização.

Artefatos abertos são interligados em rede
São objetos de informação que estão: ou em se fazendo ou que, apesar de acabados, podem ter seu conteúdo modificado continuamente devido a um sucessivo diálogo do gerador ou seus vários usuários-geradores. Aqui o documento de informação se encontra por motivos desta interatuação em continua constituição de conteúdo. O seu valor de uso é circunstancial , pois a utilidade da sua informação para um receptor está referenciada a um determinado momento do tempo. Exemplos deste tipo de objeto seriam os artigos de periódicos online e interativos, textos de listas de discussão, os documentos em hipertexto abertos, etc.

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