É preciso lutar quando é fácil ceder, pois o sonho não é impossível.

O conhecimento move o mundo, mas muitas vezes o acesso a ele está impedido por barreiras  que restringem o acesso à íntegra de estudos publicados em alguns dos principais periódicos científicos do mundo. Nos últimos anos, no entanto, cresce a adesão das maiores instituições de ensino e pesquisa do planeta ao livre acesso, com a criação de repositórios digitais onde se coloca disponível o conteúdo completo de livros e artigos.

A Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz tornou-se mais uma instituição a se juntar a esse movimento; pesquisadores, docentes, discentes, colaboradores e demais pessoas vinculadas à escola devem disponibilizar para todos no repositório digital da instituição e em forma completa os textos e estudos que produzidos, além de cederem os direitos para sua divulgação, tradução e uso não comercial. Hoje existem cerca de mais de dois mil repositórios digitais livres visando a universalização do saber, pois o conhecimento não pode servir apenas a universos particulares do saber.  Universos particulares  são  como um “country clubs” que acastelam a informação acervada para os mais previlegiados. É preciso lutar, quando é mais fácil ceder à esta ocultação da informação,  pois o sonho do saber para todos  não é impossível.

Outra barreira à universalização do saber é o anti-intelectualismo dos que defendem que cientistas pesquisadores e docentes não devem registar por escrito as suas pesquisas para não ficarem “tensionados”  pelo sistema e seu mote do escrever ou perecer. Esquecem que pesquisas não relatadas não podem ser divulgadas e ficam ocultas para o livre fluxo da informação. Esta opção democrática do não relatar permite  pensar que o meu conhecimento ficando só para mim pode ser tão bom quanto a  ignorância de todos os outros parafraseando o dito de Isaac Asimov*

Outra grande barreira, ao fluxo da informação,  é a formada pelos radicais quixotescos do formato papel em instituições que abrigam este acervamento.  A existência de palácios de informação é e deve ser um permanente marco na história da vida cultural de uma nação. Mas o radicalismo em qualquer de suas formas é prejudicial a qualquer causa;   quando relacionado à informação entrava à  universalização do saber, pois esta radicalização dificulta a disponibilidade e o uso dos conteúdos;  e esta ocultação induz  uma elitização do conhecimento que serve melhor ao interesse daqueles que tem a acesso  (em todos os aspectos)  a estas estruturas urbanas do saber acumulado.   Impõe, então,  estes radicais do formato acervado uma exclusão informacional ao dificultarem a disponibilidade da informação que fica só acessivel em palácios urbanos de cultura.

Aldo de A Barreto em 13 de setembro de 2012

*Isaac  Asimov, As máscaras da tolerância e da autoevidência

http://www.anda.jor.br/03/02/2012/as-mascaras-da-tolerancia-e-da-auto-evidencia

imagem de Honoré Daumier

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