A condição política e cognitiva da inovação

Foi de uns anos para cá que as empresas tradicionais começaram a pensar no assunto de ensinar ou produzir só por gestão  a inovação na empresa. Entenderam que era preciso preparar seus funcionários para a “sociedade do conhecimento” chegante e de reflexão profusa. Mas a sociedade do conhecimento é uma utopia de saber compartilhado. Uma promessa de um mundo melhor para todos, além dos lucros máximos que uma a empresa quer gerar. Não é um espaço demarcado e com habitantes distinguidos.

Os cursos de pós-graduação despertaram, então, para a necessidade de incluir o tema inovação em suas grades curriculares. Uma das grandes apostas neste sentido foi feita pelas escolas de negócios e de informação estratégica criando cursos sobre sobre a utópica gestão do conhecimento e suas consequências. Uma gestão irrealizável dado que o conhecimento existentindo unicamente na consciência dos indivíduos não poderia ser manejado (de management) como se maneja uma loja ou uma ordenha para produção do leite; a gestão neste caso é uma quimera conceitual.

A inovação é aspecto chave para a competitividade Para sobreviver no mercado é necessário fazer um esforço para promover esta introdução do novo. Mas a Inovação não é uma receita de bolo ensinável em uma condição de aprendizado. Pode-se fomentar o gerente inovador caracterizável por ter sua mente voltada para: associação de ideias adequadas, questionamento empreendedor, facilidade de construir analogias e de experimentar novas ideias em rede, por exemplo.

Mas a inovação é sempre uma aceitação da técnica e sua difusão pela pluralidade dos elementos de um determinado espaço social, quando convencidos que isto trará um bem comum para todos. Só existe uma inovação quando esta é aceita no espaço social em convivência. Relaciona-se a uma introdução dinâmica de um conhecimento que é assimilado e representa um conjunto de atos voluntários onde um conjunto indivíduos reelabora o seu mundo. Inovação não é sinônima de tecnologia nova, não é coisa estática, mas uma ação dinâmica.

Na dinâmica da inovação tem-se atos voluntários, sujeitos a barreiras cognitivas, contextuais e operacionais. Assim não pode ser treinada em sala de aula e nem tem nada a ver com a criatividade de um grupo de pessoas que deseja sua introdução em uma realidade. É um “momento de decisão ” em um processo de avaliação realizada pela pluralidade de uma comunidade. Uma ação política que o homem realiza na pluralidade de um convencimento consentido por todos. Sua introdução é uma possibilidade da condição humana quando  exercida em conjunto com outros homens.

O destino final do fenômeno da informação é criar conhecimento modificador e inovador no indivíduo e no seu mundo. Sendo uma passagem, um fluxo na consciência, é um processo que se realiza na mais oculta privacidade de uma subjetividade. Um caminho pessoal e acontece, de maneira diferente em cada indivíduo. Impossível de ser gestionada e é uma extravagância pensar que possa ser ensinada em um curso formal ou implantada operacionalmente por uma vontade unitária em uma empresa

AAB

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