Redes sociais, memória e esquecimento

Redes sociais, memória e esquecimento

O jornal de hoje três de maio é revelador da incapacidade de adaptação e falta de conhecimento. O chefe do New York Times é demitido por não conseguir vender jornais é culpa as redes sociais. Conclui, por vingança em causa própria, que estas redes estão afetando a condição de memória e atenção do homem. O que é uma tolice. A memória se relaciona com elementos complexos, como a percepção, imaginário e consciência.

O homem foi criado com a propensão natural de se posicionar para sobreviver no meio ambiente, reconhecer o perigo e reagir a estas ameaças. A ato de ler foi uma grande aventura para seu desenvolvimento, pois municiou-lhe, principalmente, com um imaginário. Segundo Platão, em “Fedro”, quando Hermes ou Thot, o suposto inventor da escrita, apresentou sua invenção para o faraó Thamus, este louvou a técnica rara que haveria de permitir aos seres humanos recordarem aquilo que, de outro modo, esqueceriam.  “Meu habilidoso Thot”, disse ele, “a memória é um dom importante que se deve manter vivo mediante um exercício contínuo. Graças a esta sua invenção, a escrita,  as pessoas não serão mais obrigadas a exercitar a memória. Lembrarão coisas não em razão de um esforço interior, mas apenas em virtude de um expediente exterior”. [1]   O que não aconteceu, a escrita foi a grande propulsora do  crescimento da memória e do imaginário e da atenção.

Discursar, como fez o cidadão do NYT sobre inovação no calor (ou seria frio) da derrota dá sempre confusão. Uma inovação, fruto de uma tecnologia, quando aceita pela sociedade é irreversível, qualquer seja sua relação custo benefício.

Páginas a frente o mesmo vespertino impresso nos dá notícia que a candidata conservadora da eleição para presidência do Chile, com probabilidades de vencer, está ameaçada na sua eleição pelo opinião contrária que vem sendo ajustada pela convivência popular nestas mesmas redes sociais. Uma voz antes inexistente, apagada pelo poder da mídia de massa que luta para sobreviver.

(aab)

Notas:
[1] Humberto Eco, Muito além da internet,  http://www.ofaj.com.br/textos_conteudo.php?cod=16

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