A informação e a utopia envergonhada

Cada vez mais a realidade da telinha da TV procura explicar e induzir o comportamento da grande massa de público. Na novela do momento há destaque, e com altas taxas  de audiência, para o mau caráter e a desonestidade e se a máscara estiver usando uma bela figura, bom corpo transado e juventude a flor da pele  isto tem alto poder  de sedução.

A tolerância do público em relação às vilanias mediáticas tem aumentado por estas e outras razões. É a indução para aceitação de tudo o que está acontecendo na realidade pelo olhar big brother. Um amaciamento para aceitação do mau-caratismo como o herói do momento.

Em recente telejornal televisivo sobre a tragédia das chuvas no Rio um repórter falava em palavras definitivas: “Houve muita desolação, perda de vidas e sofrimento, mas em compensação isto despertou a solidariedade do povo brasileiro” Como se o povo brasileiro só fosse solidário na tragédia. Não é verdade .  Mas veiculado por um meio de comunicação intenso isso pode induzir a uma mudança de comportamento?   Grande parte da audiência destes meios é  levada a valorizar  “o se dar bem” e ” levar vantagem”.  As pessoas devem subir na vida, ganhar dinheiro, vencer o próximo e dane-se o resto.

O iluminismo movimento intelectual surgido no século XVIII, o “século das luzes” defendeu a valorização do homem e da razão pela publicidade das ideias para todos. Das ideias iluminadas.  Contudo, as  utopias coletivas de felicidade, passaram a ser pautadas pela grande  mídia e foram trocadas por utopias individuais de bem estar.  Os jornais de janeiro de 2011 informam que os movimentos coletivos organizados não conseguiram reunir mais de trinta manifestantes para lutar por melhor salário mínimo para todos.

Os sonhos do indivíduo comum são urgidos a se dirigem  ao sucesso, ao lucro e a uma procura competitiva da melhor vantagem pessoal.  A utopia da informação  para todos em uma sociedade igualitária está envergonhada, pois serve melhor aos interesses do consumo e do mercado. As utopias coletivas perderam importância, foram substituídas pelo individualismo dos “reality shows” onde ficar a salvo do paredão rende dinheiro.

Domina o agir atual este fatalismo que determina o curso dos acontecimentos como sendo fixado e impossível de ser alterado. Em nosso viver cotidiano impera uma imobilidade determinada pela força estruturante da ação da informação de massa. Uma estabilidade silente que transforma o pensar coletivo em algo subversivo, sem esperança e infeliz. 

Esta é uma racionalidade forjada por instrumentos que produz desejos alienados da tradição, da moral e da  ética. Devemos estar cientes que ela existe para combatê-la na prática e em nosso coração.

A A  Barreto

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