Pelo fim fim da inocência

Domina o agir atual um fatalismo que determina o curso dos acontecimentos como fixado e impossível de ser alterado.  Os sonhos do indivíduo se dirigem ao sucesso e ao lucro dirigidos  por uma procura competitiva da melhor vantagem pessoal.  A informação  para uma sociedade solidária está  envergonhada  por  seguir  estes interesses  dos valores competitivos de mercado.

Nesta sequência os alarmistas de plantão com a racionalidade dos seus interesses pessoais afastam os incautos para uma realidade construída pelo seu interesse  momentâneo. Esse tem sido o mote do momento quando se fala do volume de informação e a sua velocidade como alguma coisa danosa ao indivíduo. 

A Internet socializada pela web teve maior democratização a partir de 1995  há só dezesseis anos atrás. As redes sociais nasceram com a Web 2.0 indicando uma segunda geração de comunidades e serviços no conceito da web como plataforma envolvendo wikis, aplicativos baseados em  redes sociais . Isso foi por volta de 2004 há cerca de 7 anos.

Não existe uma serie estatística de dados quantitativos ou qualitativos para subsidiar os argumentos pessimista  e profundos sobre a rede. Reflexões que só existem na cabeça de quem as idealizou para obter uma visibilidade de momento.

É moda criticar  a Internet e suas redes sociais para faturar prestigio.   Isso sem fundamento conceitual de consenso, nem estudos experimentais. Assim um  escritor bielorusso, Evgewny Marozof escreveu no Livro ” The internet dilusison”, recente lançado, a que “a rede só amplia a informação, mas não tem qualquer valor político, não muda estruturas estabelecidas, até porque,  a maior parte do que ela amplia é conteúdo medíocre”.

Também na academia este pensamento se torna frequente. Outro recente livro de sucesso prega que a Internet traz danos à memória do cidadão : “A disponibilidade requerida àqueles que têm acesso a um fluxo frenético de informações…causa perda progressiva da memória, cada vez mais remetida a um funcionamento deficiente das redes neuronais do cérebro” *

Segundo um neurocientista de renome, a web está treinando o cérebro dos usuários a tentar fazer várias coisas simultaneamente, enquanto ignora os circuitos neurais responsáveis pela reflexão e pensamento aprofundado. A Internet, diz,  deverá atrapalhar o desenvolvimento intelectual da humanidade a longo prazo, podendo até causar uma “epidemia futura de senilidade” *

Como deduziram isso?  Qual a base teórica e experimental que fundamentou estas fortes afirmativas?  Há que haver um ativismo contrário,  no setor privado, na academia  e no governo,  para modificar o status desta informação quando só um ensaio de opinião se apresenta como verdade constituida.  A atual agência nacional de informação em C&T não se ocupa disso. A sociedade civil organizada da área também não. Não podemos, como profissionais, assistir a este festival de palpites sem nada fazer.

A irracionalidade do bacorejo vem de longe. Segundo relatos quando o suposto inventor da escrita apresentou sua invenção ao Faraó da época este louvou a nova técnica dizendo: “graças a sua invenção, as pessoas não serão mais obrigadas a exercitar a memória.” Estava errado o Faraó, pois estava dando palpite,  a escrita não acabou com a memória, pelo contrário ampliou-a. O faraó indicava uma tendência eterna: falar mal da nova técnica rende apreciação e outros frutos e é seguro, pois trabalha com o desconhecimento do futuro.

A mente humana em seu sentido valorização das verdades mediáticas tem a irracionalidade dos fantasmas que assombram os incautos e os afastam para uma realidade falsamente construída. A realidade dos inocentes.

A A  Barreto

* Homo deletabilis, Garamod Universitária, 2010

* A Internet pode contribuir para uma epidemia futura de senilidade, entrevista de Michael Merzenich à Revista Galileu de Agosto de 2010

4 comentários em “Pelo fim fim da inocência

  1. A existência de críticas ferozes à Internet que se encontram em jornais, revistas, livros e em outros suportes de informação não têm em meu entender credibilidade. Cabe aos profissionais da Informação
    realizarem uma séria defesa da Web e das suas vantagens para o desenvolvimento da humanidade. Nunca a informação esteve tão disponível. A informação bem entendida e ao serviço de aprendizagens relevantes em diversos domínios da vida possibilita desenvolvimento económico, insersão social, inovação social, avanços nas ciências, nomeadamente na medicina. Cabe aos profissionais da Informação reinvindicarem a web como um espaço de Excelência para a melhoria das condições de vida da humanidade.
    Vivemos num mundo acelarado, onde cada vez mais as transformações em diversas áreas vão ser uma constante. As transformações têm que ser bem compreendidas antes de se esboçar um comentário negativo, sem forte sustentabilidade em estudos válidos e reconhecidos por uma comunidade ciéntífica. A web e os enormes desenvolvimentos da ciência da computação
    são expressão de um novo mundo. Um novo mundo em que já vivemos, com especificidades próprias e que já não voltará para trás.
    Faço um apelo a que os profissionais da Informação acarinhem a sua nova dama, a Web.
    “Abutres” disfarçados ou aflitos com os impactos desta nova dama devem ser desmascarados.
    Ângela Chambel

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