A representação da informação imperfeita


A falta de informação é geralmente referenciada na literatura como uma condição de incerteza demonstrando a falta de subsídios para uma decisão adequada. O termo incerteza aponta para imprecisão e imperfeição no tratar com fatos e ideais. O que se estabelece como incerteza pode, porém estar remetendo a uma circunstância de imprecisão, ruído, não abrangência, conflito e ignorância sobre os conteúdos.

Suponhamos, por exemplo, que se espera descobrir a que horas começa uma determinada conferência em um Congresso. Algumas das respostas que podemos obter são:

Informação direta: A conferência começa às 8 horas.

Informação imprecisa: A conferência começa entre 10 e 11 horas.

Informação incerta: Talvez a conferência comece às 8 horas.

Informação incompleta: A conferência começa lá pelas 8 horas.

Informação titubeante: É provável que a conferência comece às 8 horas.

Informação inconsistente: Disseram que a conferência começa às 8 horas, mas o programa diz que ela começa às 10 horas.

Ignorância total: Não faço a menor ideia do horário desta conferência.

As informações que conseguimos obter podem, portanto, variar de corretas, quando descobrimos exatamente o que queremos saber ou as completamente imperfeitas, seja pela total ausência de dados ou por estes estarem completamente inadequados, irrelevantes e sem prioridade.

A demanda por informação é quase sempre imprecisa, pois o usuário por não conhecer os itens armazenados em um estoque não sabe precisamente o que solicitar. Neste caso os agentes trabalhando para a oferta tem uma importante ação para estabelecer uma escala de necessidades para o receptor. O Google funciona assim para a Internet.

O interessante é que, mesmo sabendo das imperfeições da informação temos de tomar decisões, que podem não ser as mais precisas por usarmos informações imperfeitas. Mas, sempre teremos um padrão para representar a informação, seja ela perfeita ou imperfeita e apresenta-la ao receptor.

Se existisse uma sociologia da incerteza poderíamos relacioná-la com a hipótese de que, na maioria das estruturas decisórias organizacionais existe uma disposição hierarquizada que molda a decisão, baseadas em padrões imperfeitos de circulação da informação. No caso extremo poderíamos dizer que a formalidade dos canais e dos papéis exercidos pelos atores do contexto determina tão fortemente a imperfeição, que na verdade pode não haver coerência da decisão com a fundamentação dos conteúdos das mensagens.

Não importaria, assim, quem estará ocupando o papel de dirigente: seja ele um sábio ou um inculto, a decisão tomada será praticamente a mesma, considerando o status do autoritarismo na estrutura de fluxos de informação e dos atore envolvidos no contexto organizacional.

Seria interessante refletir as condições quando uma informação possa ser imperfeita por razões de sua própria natureza. Por exemplo, a informação do texto linear unidimensional reduz a incerteza pontual, localizada onde ela vai se contando, no passar das palavras destinadas a um fim que esta preso a um formato fixo.

Já, um hipertexto é uma rede de conteúdos com enorme liberdade de auto formatação representando um emaranhado de textos linkados e tendendo ao infinito. Os hipertextos com sua trajetória nômade instituem a incerteza, pois textos enredados não respondem pontualmente, só indicam os caminhos possíveis para uma decisão. O hipertexto elabora a procura da certeza tateando em sua busca por muitos textos.

Hipertextualizar é uma forma lógica de representar a informação e mostra uma coincidência de como nossa mente a processa, organiza e guarda conteúdos. É um sistema de representação, que fornece um arcabouço semântico de múltiplos caminhos e experiências. Os textos que se ligam estão livres do encadeamento pré-determinado podendo iniciar em biologia e terminar em mitologia.

Se a informação pontual reduz a incerteza certa, o hipertexto com sua trajetória solta mostra a incerteza em todas as suas facetas e a amplitude de formas para seu combate.

A ciência da informação está criando uma articulação para inserção destas tecnologias no cotidiano de seus atos e trocas. Isto é fundamental para um entendimento do papel a ser pretendido pelos seus profissionais. Como o objetivo social esperado destas tecnologias é melhorar o acesso universal à informação para maior inclusão social, este objetivo passa a ser uma decisão do status tecnológico da sociedade. Assim, não é mais passível de dúvida ou contraposição. É uma constatação de uma prática diária que determinará o desenvolvimento e a existência da área.

Aldo de Albuquerque Barreto

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