O “slow” é a grande tendência do momento

Tudo no mercado de luxo induz que seus produtos são o “melhor” impondo a crença de que o consumo é VIP  nos torna  os melhor e superior ao resto dos mortais. Essa ode atual da superioridade do consumo traz a contrapartida do da mensagem consumo responsável (http://bit.ly/kHXRH) que a Muji, cadeia japonesa de lojas multi produtos propala em seu site “Não criamos produtos que induzem clientes a acreditar que ‘isso é o melhor’ ou é ‘preciso ter isso’.O melhor pressupõe a comparação, prioridade e novidade. O melhor traz a inovação e existe em pouca quantidade no mercado.

Os tempos atuais querem criar um  nivelamento para se conquistar o desenvolvimento pessoal ou econômico. Entre os livros que tentam nos explicar essa maior homogeneização de oportunidades está “Tempos de crises” *, do filósofo Michel Serres . Suas indicações são semânticas, começando por nos lembrar que a palavra “crise” vem do verbo grego que significava julgar/decidir. Então é uma boa oportunidade para vários tipos de julgamento, sobre várias de nossas decisões, inclusive de nosso poder de julgar por nós mesmos sem que uma mídia de massa venha interpretar para nós os fatos e ideias com a intenção de induzir a um julgamento de valor massificado.

O livro de Serres também chama atenção para a origem da palavra“dados”no infinitivo pessoal se conjuga “dar”: um banco de dados democrático seria, então, o local de partilha geral como hoje temos nos repositórios livres de informação. Ou o nosso Eu repositório que damos ao partilhar o que conhecemos nas redes de convivência.

Outra tendência semântica que fica cada vez mais perceptível é o “soft” que pode significar também  “slow” tanto em inglês como em português. O slow é a grande tendência do momento: slow food, slow design, slow qualquer coisa. O sereno e calmo passou a ser ecologicamente equivalente a sustentável e orgânico.

A Associação Slow Food Brasil realiza o seu festival slow de comidinhas. O slow é a grande moda do momento: o festival Terra Madre (http://bit.ly/bmsUVG) é ecogastronomia induzindo ao prazer de comer de maneira ecologicamente correta. O site  http://www.fuad-luke.com/ , tem como lema – Serviços de Codesign para transição sustentável – Codesign é design compartilhado em criação coletiva.

O supermercado vai ganhando ares de um grande centro de decisões onde é preciso analisar e decidir a cada compra.  As embalagem avisam das ameaças e das qualidades para a saúde do que vamos colocar no carrinho. O consumo lento estabelece maior noção da utilidade pelo valor e da prioridade em se ter adequadamente a coisa desejada.

A informação só ganhará contornos sustentáveis se atender, também, a estes requisitos de valor pela utilidade e custo. Ter uma prioridade para justificar a leitura dentro de uma escala de desejos individuais, onde cada vez mais a partilha que se alcança no conviver para conceder.

Fonte: texto de Hermano Vianna, “O suficiente” no jornal, O Globo, Rio, 18 de junho de 2010.
* Tempos de Crise de Serres < http://www.dailymotion.com/video/xb3m2s_michel-serres-et-la-crise_news >

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