Tigres de papel


Uma grande atenção tem sido dada recentemente ao Kindle e ao IPad indicados como dispositivos potenciais para mudar a natureza da leitura. As novas condições de escrita e acesso digital para a leitura têm representantes de peso como a Amazon, a Apple e o Google que estão mudando a natureza do trabalho dos autores, editores e da comercialização da informação em papel, destacando-se o livro. Parece estar ficando claro que alguns intermediários serão empurrados para fora da cadeia de comercialização e distribuição de livros.

A Apple está fazendo o mesmo com a indústria da música. Estes gigantes da tecnologia e distribuição dos formatos culturais focam agora os editores que parecem ser os próximos expulsos da cadeia de distribuição.

O administrador da Macmillan, um conglomerado de editores, voou de Nova York para Seattle para se encontrar com a Amazon books e discutir a posição da casa editora no atual contento dos E-Books. A Macmillan é a menor dos 6 dos grandes editores que, ainda, produzem grande parte dos livros vendidos em USA. Assim como seus pares editores o futuro da Macmillan depende muito do que acontecerá com o comercio de livros digitais.

Tradicionalmente, as editoras de livros vendidos nas lojas, ficam metade do preço do preço de capa de um livro. Os autores recebem cerca de quinze por cento e o resto vai para promoção, distribuição, etc. Esta é uma situação estabelecida há décadas nos E.U.A.. Mas a produção de material de leitura digital, E-books, colocou todo o sistema de economia e remuneração da leitura em questão. Se não há nenhum livro físico a ser processado para venda, o que determinaria o preço a ser dividido entre editor e autor e como ficaria todo o resto do trabalho que era executado pelas casas editoras?

Segundo a American Booksellers Association, o número de livreiros independentes diminuiu de 3.250 para 1.400 desde 1999 para 2010 . Uma mercadoria que fica com demanda comercial cada vez mais abalada. Por sua vez, uma editora de porte médio teria na América, em 1999, dez editores consultores, um gerente de vendas e vários representantes comerciais. Contadores, publicitários e executivos de gerência.

A digitalização termina com esta enorme estrutura voltada para a impressão em papel. O mundo digital prescinde do trabalho de uma casa de edição deste tamanho. Esta mediação tende a acabar.

O Google vai abrir sua loja online de e-books, chamada Google Editions, em meados de 2010. O programa consiste em: uma vez comprado, o e-book vai para a sua “cloud library” (uma biblioteca na “nuvem”), que poderá ser acessada pelo leitor na web de qualquer equipamento – laptops, smartphones ou qualquer e-reader . Todos os seus livros digitais estarão em uma mesma biblioteca em nuvem; não importa onde você o tenha comprado ou onde você o queira ler.

O Google Editions prevê três modelos de negócios: o consumidor pode comprar um e-book via Google Books, em uma loja online parceira ou direto em qualquer site de venda da web e o carregar em sua “cloud library”.

O assunto é técnico e econômico e não comporta uma discussão baseada em um sentimento de devoção extrema a qualquer tipo de mídia; todos aqueles que tratam com a informação em uma condição profissional não podem, por uma questão de afetividade a um determinado veículo, ignorar um futuro que já se delineia.

É sabido que toda tecnologia estabelecida lutará muito para continuar monopolista e fechar o mercado para outras técnicas emergentes. Aconteceu com todas as inovações em todas as épocas, mas uma nova tecnologia se aceita suplantará a antiga.

O que não se pode negar é a necessidade de examinar a inovação que traz uma nova condição de inclusão social pela informação e uma distribuição mais equitativa do saber. Quem visitar o Site da Amazon verá que a International Encyclopedia of Information and Library Science de Paul Sturges (Kindle Edition) está sendo comercializada por 250 dólares para download, e o preço de capa da versão papel custa 400 dólares.

O livro de papel leva 30 dias para chegar a minha casa, passa por duas alfândegas e vários entraves burocráticos no destino, com vários outros custos, além daquele que já paguei pela coisa. A versão digital estará em meu poder em meu computador ou em minha biblioteca nuvem em minutos após a compra e sem outra intermediação.
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Ver também: Publicar ou perecer
Pode a IPad derrubar o Kindle, e salvar o negócio do livro?
por Ken Auletta
http://www.newyorker.com/reporting/2010/04/26/100426fa_fact_auletta

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