Um estranhamento indesejável.

Após quarenta anos de vivência nesta área sinto que devo registrar uma de suas “petite maladies”. Refiro-me ao tratamento diferenciado que é dado pelas IES e seus programas de pós-graduação em CI quando recebem um professor estrangeiro e quando recebem um professor brasileiro, ambos convidados para o mesmo tipo de evento acadêmico.

Não me refiro a qualquer questão relacionada ao “pro-labare” que o professor possa receber como estipendio. Por tradição da área os docentes e pesquisadores da ciência da informação nada cobram ou recebem por este tipo de trabalho e eu concordo com isso pelo tamanho da área e seus poucos recursos. Embora, neste mundo de duas realidades, as outras áreas do conhecimento, estejam estipulando dois tipos de remuneração por serviços prestados: uma quando se comparece virtualmente nas telas da tecnologia de informação e outra quando acontece a presença física, corporal que sendo vem sendo considerada como uma condição artesanal é mais dispendiosa para que quer usar o especialista.

A diferenciação de tratamento de que falo está relacionado a toda a consideração que é dada ao professor de fora em termos de respeito, apreço acadêmico e a invisibilidade que lhe é conferida do lidar com mesquinhos detalhes administrativos de sua visita e estada. No trabalho feito por cortesia e amizade do professor nacional todas estas regras de consideração e civilidade são muitas vezes consideradas um luxo desnecessário. Não são todas as IES que operam assim existem saudáveis exclusões como o programa da UFSC.

Meu conselho a quem inicia na área é não aceitar mais esta condição humilhante de ser tratados como intelectual de segunda categoria por seus colegas em busca de uma parca visibilidade. Ter visibilidade em qualquer campo não se associa a visitas ou favores interinstitucionais ou interpessoais. A atuação em sala de aula, nos projetos de pesquisa, na produção de conteúdos é praticas para a área são os fatores que irão determinar a visibilidade acadêmica e o prestígio intelectual.

” temos o direito de ser iguais quando as diferenças nos inferiorizam”

Aldo de A. Barreto

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