A ESPERANÇA

A ESPERANÇA

Fonte: trechos transcritos do texto integral de Arhur Dapieve, na sua coluna do segundo caderno da edição impressa do Jorbal o Globo de 22 Janeiro2010. O texto integral é de maior relevância.

“Comovido pela morte da irmã Zilda em missão no Haiti, o arcebispo emérito de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, na fragilida de de seus 88 anos, preferiu não falar. Emitiu um breve comunicado à imprensa: “Acabo de ouvir emocionado a notícia de que minha caríssima irmã Zilda Arns Neumann sofreu com o bom povo do Haiti o efeito trágico do terremoto. Que nosso Deus, em sua misericórdia, acolha no céu aqueles que na terra lutaram pelas crianças e os desamparados. Não é hora de perder a esperança”.

Coletei na memória três passagens heterogêneas, tiradas de um libreto de ópera, de um ensaio de sociologia e dos quadrinhos. Três distintas abordagens da esperança sobre as quais muito tenho pensado. Há quem diga que a esperança é sempre revolucionária, pois pressupõe mudança, ao contrário do desânimo, que seria conservador. Não sei, sei apenas que são três belas passagens.

Quando Giacomo Puccini morreu, em 1924, deixou inacabada a ópera “Turandot” ….Nela, uma cruel princesa da China propõe a seus pretendentes três enigmas. Se alguém os solucionasse, teria a sua mão; se não, ela é que teria a sua cabeça. Turandot continua invicta até que por ela se enamore Kalaf príncipe exilado da Tartária…

Turandot apresenta o primeiro desafio a Kalaf. O enigma diz respeito a um “fantasma iridescente”. A cada noite, ele abre as suas asas sobre a Humanidade, que, contudo, anseia por ele. Tal fantasma é fugaz: desaparece a cada madrugada para renascer no coração.“E toda noite nasce/E todo dia morre!”, entoa a princesa. Kalaf tira esse de letra: “É a esperança!”

Entre o começo dos anos 60 e a metade dos anos 70, o pensador Edgar Morin escreveu os dois volumes de Cultura de massas no século XX”. Morin analisava como o surgimento de uma cultura criava novas mitologias, que reiteravam uma suposta necessidade vital de consumo. NO volume escrito após o Maio de 68, entre outros eventos, o autor avaliava as possibilidades de ruptura com esse model…… ele escreveu: “A consciência (…) progride com bastante rapidez, mas os retrocessos da consciência são ainda mais rápidos. Há, pois, esperança, pois a esperança é sempre o improvável.”

No final dos anos 80, Neil Gaiman começou a escrever histórias em quadrinhos para o personagem Sandman. Na primeira o Senhor dos Sonhos trava uma batalha verbal com Choronzon, um demônio que se apossou de um de seus apetrechos.

Se ganhar, levará o elmo; se perder, virará escravo. Ao gabar -se de ser “a escuridão no fim de tudo”, o demônio recebe como resposta: “Eu sou a esperança. O próprio Lúcifer ameaça:“Que força têm os sonhos no inferno?” Sandman retruca: “Que poder teria o inferno se os prisioneiros daqui não fossem capazes de sonhar com o céu?”. Em silêncio, legiões abrem-lhe passagem. Das três, esta talvez seja a que mais diretamente se possa relacionar à tragédia no Haiti.

Trechos de uma cronica de Arthur Dapieve para O Globo.

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