À Ancib na reunião de seus vinte anos

Para entender a criação da Ancib é preciso uma referência ao passado. Os poucos e iniciantes programas de pós-graduação em Ciência da Informação, por indução de agências de fomento do governo, começaram a realizar Encontros, desde o início de 1980, para discutir problemas comuns e procurar soluções para seu funcionamento e para uma fundamentação da área de conhecimento que se formatava. Havia interesse dessas agências em encaixar a informação em suas políticas nacionais de Ciência e Tecnologia a fim de seguir um padrão de valorização da informação adotada, então, internacionalmente.

Assim, aconteceu , a criação da ANCIB , ainda durante a realização dos encontros de pós-graduação para troca de idéias sobre problemas acadêmicos e administrativos dos cursos de pós-graduação. Esses encontros se estenderam de 1980 até 1994, quando foi realizado o décimo terceiro e último já como parte complementar da programação da recente criada ANCIB. Fundada cinco anos antes, em 1989, no Encontro dos Cursos de Pós, realizado em Brasília, a ANCIB tinha a finalidade de: “promover o desenvolvimento da pesquisa e de estudos avançados da Ciência da Informação e Biblioteconomia no Pais”, palavras de seu estatuto fundador, aprovado em Assembléia Geral de 23 de junho de 1989, por ocasião do X Encontro Nacional de Cursos de Pós-graduação em Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação.

Mas, na verdade, a ANCIB, com a exceção de um grupo pequeno e presente em 1989, era mais uma criação e esperança das agências fomentadoras para colocar a informação em papel de destaque no cenário técnico científico nacional. Havia necessidade de colocar em prática o plano chamado “Ação Programada em ICT” criado por uma das fomentadoras.

Este era um programa nacional de informação preparado pelo governo em conjunto com a comunidade de C&T e lançado em outubro de 1984. O Plano porém não conseguiu alavancar as ações que preconizava. Grande parte dos atos da ação programada exigiam um inovador olhar para o desenvolvimento do universo da informação no Brasil. Um olhar que demandava aceitação de novas técnicas e a necessidade se privilegiar o conteúdo do documento e sua disseminação apropriada ao invés de cuidar de sua forma e de seu acervamento para uso.

Em maio de 1994, uma fomentadora aprova o primeiro e único projeto de pesquisa apresentado pela ANCIB em nome de toda a área. O projeto constava de cinco subprojetos: (1) estudo da produção cientifica; (2) literatura cinza na CI; (3) mercado de trabalho da área; (4) balcão de informações no mercado emergente de CI; (5) o profissional e o mercado no âmbito do Distrito Federal.

Cada projeto era capitaneado por um pesquisador. A iniciativa de enorme valor de conteúdo e com condições agregativas não representou, contudo, o anseio de reflexão de todo o campo na época, nem demonstrava, no conjunto, um entrosamento conceitual com os princípios da nova área em termos de tecnologia. Esta informação de 1993 está documentada no 16º Informe em Ciência da Informação, boletim publicado então pela ANCIB em São Paulo. (Boletim anexado ao artigo).

Este informe indicava, também, a realização para outubro de 1993, em Belo Horizonte, do novo modelo de evento denominado Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação, o encontro da Associação tinha ,então, a sigla ENPeCI, pois nessa primeira investida, se abandonava a denominação Biblioteconomia, mas só no título.

Esta independência foi curta. A descendência falou mais forte e o segundo encontro já foi realizado com o nome de Encontro Nacional de Ciência da Informação e Biblioteconomia (ENANCIB), onde o nome do Encontro denota a existência de duas “coisas” [CI e Biblioteconomia] que seriam “mesma coisa”.

É interessante notar que, em 1989, a data da criação da ANCIB , dois campos praticamente idênticos são colocados como espaços diferenciados para o ensino e a pesquisa da informação. O importante dessas observações do contexto remoto é verificar que a ANCIB não foi criada, unicamente, pela forte vontade e afinidade dos membros ativos pertencentes a uma área autônoma de conhecimento. Não nasceu a partir de um movimento de agregação para representar e ser a soma de uma preocupação de pesquisa ou uma associação com forte afetividade de interesses comuns e uma agenda partilhada.

Porém, desde sua criação, a Associação tem procurado direcionar e interpretar a área. Seus encontros nacionais são as reuniões mais importantes para aproximar e apreciar os rumos da informação como um campo de conhecimento em todos os campos de execução. Nesses encontros, a pesquisa é colocada em diferentes grupos como que para explicitar a significância de cada campo, dentro de um trabalho conjunto com a informação.

Quem se une a uma sociedade científica deve mostrar o desejo de participar do seu desenvolvimento e conhecer os relatos de como este progresso esta ocorrendo. É um caminhar juntos para participar de um destino comum. Só com essas condições pode uma associação ser forte e demandar, com intensidade reivindicatória, uma agenda de interesse comum. A ANCIB, com suas reuniões, vem incrementando a reflexão e o contexto político da área de informação.

Aldo de Albuquerque Barreto

Nota

– O artigo completo escrito para “Tendências da Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação” Revista da ANCIB esta em
http://inseer.ibict.br/ancib/index.php/tpbci

– O artigo está, também, em
http://aldoibct.bighost.com.br/aldo%20ancib.pdf

– O autor do texto abaixo foi Secretário Geral e depois Vice-presidente na fundação da ANCIB em 1989 foi o presidente da Associação por dois períodos consecutivos de três anos de 1997 / 2003.

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