Aldobarreto's Blog

coisas que acredito em informação e conhecimento

Acredito que a informação é abundante, e não se esgota com o consumo; e que esta abundância é provocada pela desordem nos acervos. Penso que informações se institucionalizam em estoques e que estes são estático, por si só não geram conhecimento; este conhecimento se produz a partir dos fluxos de comunicação que se utilizam destes estoques. O conhecimento é um processo sempre dinâmico e se realiza fora dos estoques em lugar onde os receptores de informação habitam.

Acredito que a informação tem muitas maneiras de ser nomeada; Eu a nomeei como: “estruturas significantes com a competência de gerar conhecimento”; aquilo que, num contexto cultural específico, possui valor denotativo, evocativo, mágico e místico.

Acredito que o objeto de estudo da ciência da informação é um constante construir de princípios e práticas relacionados com: a criação da informação como ação humana de dar existência ao que não existia antes e depois o tratamento desta informação produzida para sua organização e sua distribuição. É do seu objeto o estudo dos diversos fluxos de transferência; nesse continuum a ciência da informação pode utilizar diferentes linguagens, uma variedade de formas, e seguir através de uma quantidade de canais.

Postagem  de construção teórica:  Pequeno glossário pessoal sobre tópicos de ciência da informação
http://abarretolexias.blogspot.com.br/2013/07/pequeno-glossario-individual-sobre.html

Com a tabela procuramos indicar alguns pontos focais para ilustrar as
modificações na estrutura da comunicação do conhecimento entre as diferentes
fases que determinaram o seu contexto.

 

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as palavras e os mitos

as palavras e os mitos

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“Escrever é retirar-se. Não para a sua própria tenda para escrever, mas para a sua própria escritura. Cair longe da linguagem, emancipa-la ou desampará-la, deixa-la caminhar sozinha e desmunida. Abandonar a palavra. Deixa-la falar sozinha o que ela só pode fazer escrevendo. Abandonar a escritura é só lá estar para lhe dar passagem, para ser elemento diáfano de sua procissão: tudo e nada. Em relação a obra o escritor é ao mesmo tempo tudo é nada.” (Derrida)

Assim, também, as Lexias de Barthes são  apontadas como fragmentos do texto que caracterizam uma unidade de leitura, um corte completamente arbitrário sem qualquer responsabilidade metodológica.

O nascer dos elos de uma escrita hipertextual. A lexia é o envelope de um volume semântico, a voz do texto tutor, a linha saliente de um texto plural. O texto tutor, seja ele o primeiro ou um dos seus muitos elos,  será sempre quebrado, interrompido em total desrespeito por suas divisões naturais.

“O trabalho do texto superposto, do momento que se subtrai toda a ideologia de totalidade consiste precisamente em maltratar o texto, em cortar-lhe a palavra.” (Barthes)

Tanto o cientista como o artesão da bricolagem hipertextual estão a espreita de mensagens que, para o “bricoleur” são mensagens existentes e pré-transmitidas e colecionadas como códigos que permitem enfrentar situações novas; o homem de ciência antecipa sempre uma “outra” mensagem  que se espera nova e arrancada, com técnica, de interlocutores e sua ambiência.

O mais interessante no pensamento (selvagem) dos mitemas de Lèvi-Strauss  é o abandono de toda a referência a  um centro, um sujeito, um contexto específico ou uma origem absoluta. O discurso das estruturas acêntricas dos mitos não tem um sujeito ou centro absoluto.

O mito de referência (o texto tutor) não deriva unicamente de uma posição central, mas de sua posição irregular no interior do emaranhado de fragmentos que se interconectam: ” o mito e a obra musical aparecem como maestros cujo plateia são os silenciosos executantes. A música e a mitologia confrontam o homem com objetos virtuais cuja  somente sombra  é atual….”

Um conjunto de mitos pertence a sua ordem do discurso. Uma estrutura de mitemas corresponde a um conjunto informação acêntrica que forma virtualmente uma rede em um hipertexto onde a crua informação neles entrelaçada transforma-se quando reunida e cozida em conhecimento.

Aldo Barreto

 

Em algum lugar do passado

Em algum lugar do passado

Em 1968 terminei o curso de economia na, então, Faculdade de Economia da Universidade do Brasil no Rio de Janeiro. Rápido descobri que havia cerca de sete cursos de economia  no Rio formando cerca de 300 economistas por ano e a necessidade do Brasil para esta especialidade era, na época, algo como 50 profissionais.

Desemprego certo eu fui procurar me especializar na Inglaterra unindo a necessidade ao sonho. Londres era na década de 60 o centro do mundo, os Beatles, King’s Road e Carnaby Street; a cidade juntava a intelectualidade, a música e a badalação. Me fui com recursos próprios juntados de economias e acordos de FGTS,  que me dariam para ficar por dezoito meses estudando na Inglaterra. Londres foi uma paixão a primeira vista; os londrinos dizem “se você está cansado de Londres desista; você esta cansado da vida.” mesmo não sendo a cidade que nunca dorme, pois a maioria se recolhe as 11 da noite.

 

Preferi para morar uma pobreza centralizada do que manter padrões da vida caseira trazidas de cá do Brasil,pois para isso teria que pegar a linha do trem de subúrbio. Fui morar em “Chelsea,  off King’s Road” a uma quadra do Rio Tamisa. Mas, morava em um bedsitter algo como um conjugado, com cama, pia e algum instrumental de fogo para realizar pequenas cozinhas. O bedsitter tinha banheiros tímidos, coletivos e camuflados que ficavam, nas suas especialidades, três andares acima ou abaixo do meu bedsitter. Tudo isso em uma casa de cerca de 200 a 500 anos, onde antes morava uma única e nobre família. Subir ou descer  três andares,  em uma noite de inverno londrino , as três da madrugada para se  aliviar era barra pesada.

 

Muito cedo percebi que não daria para fazer um mestrado em economia. Minha formação brasileira exigia um nivelamento e tudo não ficaria por menos que dois anos e meio. Longo tempo para o meu pouco dinheiro. Fui, então, aprender inglês. Enquanto isso, todo o domingo lia o Sunday Times que tinha um caderno sobre educação e onde todas as faculdades do Reino Unido publicavam sua oferta de vagas para os mais diferentes cursos de pósgraduação.

 

Li então sobre um curso de ciência da informação, oferecido no centro de Londres, pela The City University, antes o Northampton College da Universidade de Londres,  especializado em engenharia de aviões supersônicos, foguetes etc.. Era, então,  1968 não se sabia muito bem o que era ciência da informação no mundo todo. Pensei ser um ramo da comunicação social, coisa muito em moda depois da segunda guerra. Fiz uma aplicação pedindo para para fazer o curso de mestrado e fui ter uma entrevista com Jason Farradane, o seu coordenador. Farradane viu que eu não sabia muito do que se tratava, mas se encantou em ter um economista como aluno pagante e me aceitou e foi meu orientador, com a condição de que minha dissertação final fosse sobre ciência da informação e economia 1.

 

A ciência da informação estava começando a ser definida como uma área acadêmica. A reunião da Royal Society de Londres sobre informação, em 1948, acabava de decidir mais os problemas que os rumos do novo campo. Nos anos cinquenta haviam começado as Reuniões do “Classification Research Group” e o próprio curso de ciência da informação da The City University. Participei em 1969 de algumas reuniões das Reuniões do grupo de classificação, com meu orientador ferrenho defensor de um esquema de classificação chamado “relational Indexing”. As discussões eram acaloradas e com gente de autoridade da recente área como Robert Fairthone, Karin Spack Jones,  John. Bernal. A época era a da gestão da informação.

 

Onde o foco das reflexões estava no controle da informação e assim foi até cerca de 1990 quando veio  popularização da web e o inicio de um novo regime de informação. Todos os planos, programas discursos de informação feitos antes de 1990 perderam o sentido e forma derrubados pela Internet e sua configuração gráfica a WEB.

 

Para mim tudo ficou inesquecível nesta época. Estudava, quando não estava na The City, na Aslib – Association for Special Libraries que ficava perto de minha casa. Frequentava a torrinha do Royal Festival Hall e do Covent Garden e não perdia concertos, um por dia, por 90 dias do “Promenade Concerts” no Royal Albert Hall,  o monumento de amor da Rainha Vitória ao marido morto. Alguns destas exibições no “Proms”o compositor da obra executada estava na plateia , para receber os aplausos, como foi o caso de Benjamin Britten quando executaram sua Sinfonia da Requiem. Eu tinha, então, 26 anos e estava me equipando sem saber para ser uma fonte de informação primaria hoje. A ciência da informação lidava com a explosão da informação liberada no pós-guerra  e o  artigo de Vannevar Bush no Atlantic Mountly, as preocupações da Classification Reserach Group denotam a primeira orientação da nova área.  Em 1957 Cyril Cleverdon começou no Cranfield Institute of Technology em Bedford perto de Londres a usar o computador para estudar e comparar a eficácia das linguagens de indexação com o fim de organizar conjuntos de documentos. Definiu, assim, matematicamente o conceito de relevância e de precisão. Apresentava seus resultados à comunidade da área em uma reunião chamada de “Cranfield Conferences”, foram sete ao todo  de 1960 até 1970. As conferências eram um “happening” da área no mundo reunindo todas as pessoas importantes que pretendiam lidar com a informação usando o melhor esquema de indexação para seus textos.

 

Apesar das grandes realizações para a área da informação, as as medição do desempenho realizados naquela época são quase totalmente desconhecidas hoje. O que se sabe sobre as variáveis influenciando as avaliações de relevância em condições experimentais ainda é muito pouco, bem como a compreensão dos aspectos psicológicos e situacionais do usuário ao julgar a relevância.

 

Atualmente, estando a informação disponível em texto completo na rede e com um novo tipo de escrita, o documento  aberto, que está sempre em se fazendo, estas medidas tem que ser revistas.

 

A sétima conferencia de Cranfield foi a última. Eu não poderia deixar de ir estando lá. Inscrevi-me por telefone da biblioteca da ASLIB após um dia de estudo, que chamávamos de “trabalho”. O evento foi memorável para mim,inclusive o bride a Rainha após o  jantar.

Logo depois disso terminei o meu mestrado, retornei e fui trabalhar na PUC do Rio de Janeiro. Cheguei ao Rio em um anoitecer de verão e o navio o “Eugenio C” antes de aportar parou de frente para o Cristo Redentor na Baia de Guanabara iluminada o que foi uma visão de enorme emoção. Mas foi ali, naquele instante, que percebi, definitivamente, que minha terra seria, também, uma Ilha e Elizabeth minha Rainha para sempre.

 

Já desembarquei sonhando em voltar o que consegui, algum tempo depois para ficar mais quatro anos e fazer o doutorado em ciência da informação na mesma The City University. Voltei  para vivenciar a segunda fase da área. No doutorado um de meus professores foi Nick Belkin,  um dos que introduziu o cognitivismo na ciência da Informação. O foco passava a ser o usuário Mas, isso já é uma outra história.

 

 

Notas:

 

[1] Minha dissertação de mestrado foi sobre “ A troca de informação econômica e comercial entre o Reino Unido e o Brasil” – nos anos 1950 o Reino Unido havia perdido a oportunidade de participar da fabricação de carros populares no Brasil por falta de informação econômica sobre este país.

 

[2] texto revisto  do publicado em Colunas do DataGramaZero – Revista de Informação – v.11   n.2 abr/10

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Aldo de Albuquerque Barreto

aldobar@globo.com

 

Doutor em Ciência da Informação, The City University, Londres, Inglaterra. Pesquisador Sênior do CNPq.

 

 

 

 

Ética Editorial

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Tenho notado que atualmente autores , principalmente os mais jovens que submetem seu mesmo artigo a duas ou mais revistas ao mesmo tempo. É preciso lembrar que existe uma ética editorial e também acadêmica que regula esta ação:

“Publicação múltipla, redundante e simultânea: um autor não deve publicar manuscritos que tenham sido anteriormente publicados em outro periódico. Enviar o mesmo manuscrito para mais de uma revista ao mesmo tempo e/ou publicar o mesmo artigo em mais de um periódico constitui um comportamento editorial antiético.” Ver para isto a Revista da ESPM, que recomendo a leitura do Código de Ética Editorial que apresenta. http://www.espm.br/download/revista/cmc/portpolitetica.pdf.

É preciso lembrar que a vida acadêmica se sustenta em pilares bem definidos. Ir contra este arcabouço moral pode dirigir o cientista, o autor, o editor a ter que seguir outros caminhos pela vida.

Estoques em labirinto e  conhecimento em fluxo

labirinto

“Um labirinto é uma defesa,

muitas vezes uma defesa mágica,

para guardar um centro, um tesouro

um significado”

Em meu trabalho nestes anos acredito que a informação sintoniza o mundo, pois referencia o homem  ao seu passado histórico,  às suas cognições prévias    colocando-o  em um ponto do presente com uma memória do passado e uma perspectiva do  futuro.

Independente de qualquer avaliação de qualidade, estoques de informação serão sempre acervos estáticos e sem condição de movimento: são recursos aterrados para uma ação de conhecimento, que ocorre quando,  depois de disseminados por uma transferência há uma aceitação cognitiva. A sua  condição de estática expectativa fica revelada em nosso falar atual: “Vou entrar em um arquivo”; a ideia de viagem e de ingresso em direção no local da informação mostra  a  circunstância da serena espera dos estoques para possibilitar uma ação maior.  Nessa possibilidade estoques de informação podem criar conhecimento na consciência do individuo desde transferidos e elaborados em um saber acumulado de cognições previas. Mas o sereno estoque denota e estática espera.

Já o conhecimento é um fluxo de eventos que utilizando o saber acumulado entrelaça fragmentos para formar algo novo e que se agrega ao fim deste movido percurso. O conhecimento é viajante e desaparece após cumprir sua finalidade como uma onda que agitou deixando partículas de informação em descanso. Tem a evanescência dos fantasmas. Entrar em um arquivo expõe a condição de labirinto da memória. O viajante em um arquivo nunca tem uma visão de cima para baixo,  para como um  ser avoante,  para ver as tramoias,  os caminhos certos para a informação desejada.  Há que se percorrer as alamedas para conhecer o labirinto.

O labirinto tem maquinações mágicas:  ou é o visível, como um espaço que delimita  o que está aparente e  é conhecido normatizado e aterrado em uma realidade sensível  ou é  o recinto  do invisível na  potencialidade do trançado das coisas que defende e guarda. No labirinto o minotauro defende os conteúdos estabelecidos e conduzidos pelo fio que o fluxo do conhecer permitiu encontrar e estruturar. No labirinto da consciência o saber é estoque o conhecimento é fluxo e o acervo o esconderijo mágico dos  significados.

Assim, o  labirinto  indica  escolhas alternativas, quando os caminhos convergem a um ponto focal e estável  de  mudança  dentro do  espaço aterrado e regulado do acervo percorrido.  Mas o labirinto  invisível  é como uma onda de partículas  que se animou  no emaranhado em que cada ponto pode ter conexão com qualquer outro ponto. Não é possível desenrolá-lo com o fio de Ariadne, pois não tem interior ou exterior estabelecido. Pode ser finito ou infinito e em ambos os casos cada uma das partículas de sua formação pode ser ligada a qualquer outra e o seu próprio processo de conexão é um contínuo processo de correção destas conexões.

Este é o labirinto das ondas digitais da informação em rede e da intertextualidade. Das estruturas interconectadas onde o conhecimento fluxo opera por associações  de um pensamento divergente para formar significados em um mundo sem terrenos. Se a Informação e estoques e o conhecimento é fluxo seria conceitualmente inapropriado confundir um com os outro,  pois um é o viajante  e outro a estrada.

AAB

[revisto de publicação de 2009]

é preciso ser fiel ao sonho

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Nas palavras de J. L. Borges: é preciso ser fiel ao sonho e não às circunstâncias.  Mas haverá  momentos em que  as circunstâncias serão tão fortes que irão acabar com o sonho.

Preparando o Datagramazero  tive que engendrar umas palavras para o editorial . Estas palavras me tocaram emocionalmente ,pois nunca é fácil  terminar um sonho de tantos anos.

Iniciar o Datagramazero em novembro de 1977 foi um sonho e uma audácia. Não havia uma revista eletrônica privilegiando a Ciência da Informação com uma visão ampla da área e suas inter-relações com outras áreas. Nas palavras de J. L. Borges: “é preciso ser fiel ao sonho e não às circunstâncias”. com o Datagramazero as palavras começaram, em certo sentido, como mágica a formar um conteúdo de um periódico e digital. “Como associando ao traço visível à coisa invisível, a coisa ausente … As palavras e os conteúdo escolhidos nos significam e  definem uma Revista e identificam, também, aqueles que tratam conosco. Escrever é um lamento ou canção de amor não correspondido.”

Com o passar do tempo o Datagramazero foi sendo todo realizado só por mim como uma atividade lúdica e prazerosa. Por cerca de treze anos fiz a revista sozinho. Mas é preciso lembrar que existe a adversidade que aparece como coisa imponderável, a circunstância inesperada que chega poderosa e superveniente na nossa realidade. Nesses momentos passamos a viver no pequeno espaço de um vazio temporal, como na indeterminação entre dois estados.

É preciso saber conviver com a adversidade nas batalhas da vida e estar sempre preparado para vivenciar o efêmero  que existe mais esta desaparecendo para um fim e lidar com o e o imponderável das  das circunstâncias  inesperadas que chegarão poderosas e definitivas.

No momentos atual vivenciamos com complexidade emocional destas configurações passamos e passamos a viver no  pequeníssimo e indeterminado espaço de um vazio temporal,  um  estado ondes   as circunstâncias serão tão fortes que encerrarão o sonho.
Aldo de Albuquerque Barreto
editor do Datagramazero

Além da aflição do dia

palavra

Quando enfatizo que o meio é a mensagem e vai muito além do conteúdo, não estou indicando que o conteúdo não tem papel no processo – mas indicando que o conteúdo tem um papel diferente e sem importância diz Marshall McLuhan (1969) em sua famosa entrevista a Revista Playboy. * E continua: “Mesmo se Hitler tivesse pronunciado aulas de Botânica no meio rádio algum político usaria o meio para reunir os alemães e iniciar as características negras que criou o fascismo europeu dos anos 20 e 30.”

E continua: “Quando colocamos a importância no conteúdo e não no “meio, perdemos toda a chance de perceber e influenciar o homem“. Passaram-se quase 50 anos após estas declarações hoje não é mais verdadeira, pois há mais liberdade na produção dos conteúdos livres, mesmo em um meio forte como a Internet é o conteúdo que domina todas as ações subsequentes ao processo de troca de enunciados, pois só assim se determina a relação colaborativa e o processo de união estável entre gerador e receptor.

Não existe mais o determinismo físico de que diferentes estruturas físicas desencadeavam mecanismos de compreensão de significados. Se para McLuhan, o meio e sua tecnologia se estabelece como a forma comunicativa e determina conteúdo da comunicação isso não acontece mais na liberdade das vozes de um formato aberto da ação de comunicação.

O receptor hoje tem acesso às “fontes” e lá, estabelece um dialogo explicito e de seu interesse sem intermediários fatais e seus universos particulares de linguagem. O receptor com acesso as fontes de informação arranja seus dados de uma maneira subjetivamente individualizada por suas preferências, independente dos canais formais de uma comunicação direcionadora e formadora de uma opinião padronizada.

O que falamos e escrevemos é sempre é para registro junto a nossas testemunhas. Nossa vida ativa acontece na condição testemunhal de visibilidade de nossos enunciados. No mundo da visibilidade nossa atuação se relaciona a esta condição de convencer e não decepcionar as testemunhas que confirmam o nosso caminhar colocando marcos no caminho de nossa aventura com as palavras.

A informação não existe sem expectadores, sem uma plateia, um palco e aplausos e a memória que se forma depende desta validação. Os estoques de memória existem, enquanto existirem as testemunhas e as testemunhas das testemunhas. A nossa escrita cria, assim, um domicílio documental de memória ao qual podemos sempre recorrer regressando para uma acolhida de atestação. As nossas narrativas passadas mantêm a nossa memória iluminada no presente.

Com a entrada da realidade virtual em nossa convivência cotidiana, cada vez mais vivemos a condição de uma existência sem a necessidade de uma presença física testemunhal. Ficamos alforriados do entreolhar, do gesto, do toque e a sensualidade da linguagem do corpo. Códigos corpóreos delimitam ou ampliam os enunciados na expectativa da presença exercida. Nas relações face-a-face fica difícil de ser engendrado um estado de espírito oculto e a força do olhar desnuda a máscara de um dialogo onde o ritmo da voz pode abrigar, ocasionalmente, uma comunicação mal formada.

Há no viver dos cenários virtuais uma condição comportamental do “eu sou o espetáculo” em que além de convencer queremos encantar nossas testemunhas com a interpretação de nossa emoção com belo e o inusitadoao lançarmos mensagens aos nossos distantes escondidos na máscara da não presença.

Todos rejuvenescem no ciberespaço das convivências abrigadas e voltamos a uma adolescência querendo “como nos mostrar” com o nossa cena, o show do nosso eu, formando um “lego” relevante com a simplicidade de um pensamento oxigenado.

Mas há que cuidar da palavra na aflição do nosso comunicar: contam que Pitágoras foi o grande filósofo grego, responsável por desenvolvimentos na matemática, astronomia nunca deixou nada escrito – acredita-se que para preservar o seu pensamento. Sócrates e Buda nada deixaram escrito e muito se fala do que pensaram e disseram. Cristo pelo que sabemos escreveu uma única vez e poucas palavras na areia que o mar se encarregou de apagar. A escrita nas mãos de um incapaz é como a espada nas mãos de uma criança, dizia Santo Anselmo.

Aldo A Barreto
Final de junho 2015

*Entrevista de Marshall McLuhan (1969) a Revista Playboy
http://web.cs.ucdavis.edu/~rogaway/classes/188/spring07/mcluhan.pdf

A estética do conhecimento

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A estética do conhecimento, como à diversidade de emoções e sentimentos que ele suscita é a sensibilidade para apreender o mundo; uma emoção que tenuemente precede a percepção e representa um sentimento da momentaneidade do eu avaliando o mundo.

Os sentidos têm a função de nos fazer qualificar o percebido por uma compreensão dos objetos e uma confiança em sua existência; uma sensação que sempre acompanha a percepção. Ao cheirar uma rosa seu odor esta inscrito na flor que na rosa percebo ao sentir se cheiro a coisa. Há nesta intervenção a sensação que precede a percepção como o :”o olho não pode deixar de ver: Não podemos calar o ouvido. Nossos corpos sentem, onde quer que estejam, contra ou com a nossa vontade” [1]

O possivel ou impossível suporte de inscrição de uma sensação pauta o regime de nossa conscência e sempre queremos que as inscrições digam mais que o permitido pelos seus códigos. Há, assim, uma enorme vontade de multiplicar discursos para qualificar o perceber . Discursos crescentes que se acumulam em estoques: mas este quantum armazenado sendo uma condição estática é um componente indispensável para a realização do ato de conhecer em si.

Para que o conhecimento opere é necessária a transferência dos “significados em armazém” para a realidade dos receptores em uma conjuntura favorável de comunicação. Nesse momento nada é mais total que a interação com a tecnologia da escrita e seu deciframento adequado, pois nada é mais subjetivo, privado e individual que a sensação que precede a assimilação. Este processo é diferenciado e oculto, revelado a cada pessoa e cada apropriação é dela somente dela, de mais ninguém. É este enfim o lugar do conhecimento: a consciência individualizada que apreende um significado que lhe é destinado por peripécias de um punhado de palavras?

Só entendo o conhecimento como sendo uma passagem, um fluxo de percepções amoldadas pela mente no espaço de uma subjetividade. É um caminho pessoal e distinguido e revela um ritual de interações entre um sujeito e uma determinada estrutura de informação tendo como mediadora a interface da linguagem. È quase como mágica. Uma revelação.

Roland Barthes nos fala deste momento com a indicação do “Ma” a relação de separação entre dois instantes, dois lugares dois estados uma coisa unica que acontece e o que Barthes Chama de “Utsori” o exato momento em que as flor vai desabrochar ou em que a alma está como que suspensa entre dois estados. O momento de apreenção do conhecimento.

Esta apropriação representa, então, um conjunto de atos voluntários, pelo qual o indivíduo reelabora o seu mundo modificando seu universo simbólico. É uma criação elaborada com suas cognições prévias, um início daquilo que nunca iniciou antes, mas que encadeará sempre uma consequência, ainda que, aconteça um retorno para ao estado inicial.

Nele píxeis de raios catodos como vagalumes acendem e apagam como na criação do pensamento Um fluxo que finaliza no início e o seu acabamento tem uma evanescencia de fantasmas, pois “o pensamento nada mais é que uma onda elétrica pequenininha se espalhando pelo cérebro numa escala de tempo de milissegundos” [3 ].

Esta relação a informação escrita vive no continuum do perceber ao conhecer. Os enunciados são contingentes e acontecem em uma mensagem com uma mediação gráfica da linguagem comum, mas diferenciada em para cada contexto de comunicação. A escrita é a tecnologia que reflete mas não se subordina a um código imutável. Um texto é conjunto de expressões escritas em uma base com toda a multiplicidade de configurações de uma língua ou que uma lingua ainda não definiu. O discurso de significação é uma elaboração do autor, mas quando difundido acresce sua amplitude:com a leitura, o a sua interpretação e reconstrução pelo leitor.

A escrita deu ao homem valores visuais e ocasionou sua consciência sequencial facetada ao contrário dos espaços auditivos, onde o convívio em narrativa era mediado pela distância das ondas circulares de som. A tipografia fez o homem com um pensamento linear e sequencial e ele qualificou, organizou e classificou as suas informações em modo hierárquico, em uma série contínua de graus, escalas, famílias, em ordem crescente ou decrescente.

Seja esta inscrição digital em em papel ou papiro, no arquivo ja domiciliado, em pedras arqueológicas museificada cada receptor deve percorrer os caminhos de sua percepção e interpretação em uma escrita livre das amarras dos controladores do código único. Estas são individualidades divergentes que no ato da percepção se separam para sempre.

Aldo de A Barreto

revisto e ampliado, 2015

[1] Wordswirth (1798) – “The Tables Turned” in Select Poems, Sharroc
[2]Barthe, A preparação do romance volume 1
[3] O pensamento nada mais é do que uma onda elétrica pequenininha, se espalhando pelo cérebro, numa escala de tempo de milissegundos. O que fizemos foi descobrir que é possível ler esses sinais… Miguel Nicolelis, neurocientista, em entrevista a Folha de São Paulo de 10 de junho 2009 [JC email da SBPC 3781,2009]

imagem de Leszek Paradowski

Eu estou indo para Lecce

eu esto indo para Lecce

A estrutura do texto  escrito é uma construção e desconstrução de palavras colocadas e deslocadas. Uma estrutura de palavras é como ter elementos que se unem e formam um todo ordenado e com princípios lógicos, com coerência de raciocínio e de ideias. Uma narrativa possui características estruturais de linguagem que admitem  verificar suas unidades ou as partes que poderão representar o seu viés.

Como um pensamento singular o autor quer elaborar deu discurso buscando palavras únicas para formar seu enunciado, pois normalmente,  sempre quer colocar no viés da mensagem aquilo que  quer falar para se diferenciar seu texto. É no viés que um autor deixa a pista do que quer nos revelar.

O texto “Malogramos sempre ao falar do que amamos”, originalmente destinado a um colóquio sobre Stendhal em Milão foi o último  trabalho de Roland Barthes.  A segunda página de “Malogramos” estava em sua máquina de escrever em naquele fevereiro de 1980 quando Barthes aconteceu ser atropelado em frente ao College de France.

Barthes em “Malogramos” narra um episódio imaginário acontecido na estação de trem de Milão. Da plataforma, numa noite fria ele vê partir um trem destinado a cidade de Lecce na Itália e tomado por sua imaginação pensa estar indo a Lecce.  Como analogia eu me vejo em uma estação do metro no Rio como em um local fantástico e de fantasia.  Então eu vou de novo estar lá: “Deus como ainda sou louco nesta minha idade!” E acrescento o que em minha opinião é um hino aos que não conseguem ter o seu amor correspondido: “Porque esta magia da paixão esta sempre longe para mim esta sempre noutra parte”.

Eu vivi a minha vida aberto com amplitude para o amor. Procurei repassar este amor  aos que conviveram comigo e é nesta lembrança  que ainda vivo  melhor.  Mas creio que vim ao mundo para  cumprir uma uma maneira de viver  de amores não correspondidos. Contudo, eu nuca desisti.

Assim malogrei ao querer reciprocidade nos momentos que amei. E por isto para mim a bela Lecce ficará sempre muito longe, em outra parte. Mas, não me afligi neste processo e penso no manifesto de Sêneca, o filósofo que no ano quarenta da era cristã perdeu tudo:  amores,  amigos, carreira política e foi desterrado:

Jamais confiei na fortuna, disse. Todas as bênçãos que ela pensa derramou sobre mim  como o conhecimento, o prestígio e a admiração foram conquistados por mim mesmo.  Assim ela não pode retirar de mim o que não me concedeu.

(AAB,  com ajuda de textos queridos)

Os números de 2014

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2014 deste blog.

Aqui está um resumo:

A sala de concertos em Sydney, Opera House tem lugar para 2.700 pessoas. Este blog foi visto por cerca de 8.300 vezes em Se fosse um show na Opera House, levaria cerca de 3 shows lotados para que muitas pessoas pudessem vê-lo.

Clique aqui para ver o relatório completo

Os imateriais simbolicamente significantes

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Uma ponderação do filosofo Jean-François Lyotard sobre a estrutura e o fluxo da informação tomou forma explicita em uma exibição denominada “Les Immatériuax” que ocorreu durante 1984 e 1985 no Centro Georges Pompidou em Paris. Com um apelo a pós-modernidade ou a modernidade vivencial, a questão que se queria investigar era a modernidade digital que transformou os artefatos culturais imateriais e seu conteúdo. Há vinte e cinco anos atrás o pensamento inovador sobre os significados imateriais em sua base fixa e sua distribuição em fluxos surgiu em uma exibição de Paris, em 1985: “Les Immatériaux”. Os curadores da exibição foram Thierry Chaput e Jean-François Lyotard, que deu sustentação conceitual ao acontecimento.
O propósito de “Os Imateriais” foi trazer a inquietude com a fluidez da informação nas diferentes bases de inscrição. Isto em uma época em que o texto impresso era uma ideia dominante de um padrão de escrita, documento e leitura. No contexto da exibição o visitante era o único culpado pela construção do sentido. Pela primeira vez computadores forma trazidos para o espaço de uma exibição pública. A intenção era mostrar que naquela atualidade (1985) tudo era informação e que os sentidos estavam cada vez mais entrelaçados com a forma e a estrutura em que o conteúdo estava inserido.

Lyotard acreditava que a passagem de uma sociedade industrial para uma sociedade de informação teria efeitos profundos sobre o espírito humano. Presumido que as tecnologias da telecomunicação e da informática fossem capazes de assumir as tarefas mentais do armazenamento e processamento de dados desmaterializados – a relação do homem com a realidade mudaria radicalmente.  A exibição criou um protótipo para se observar fisicamente em uma instalação artística a diferenciação da linguagem em para divergentes tipos de estrutura e fluxo dos significados.

Por exemplo, o site ‘Nu vain’ (O corpo vaidoso) foi criado ela cenarista Martine Moinot e era composto de doze manequins assexuados; ouvia-se um som de fundo de uma passagem rítmica do filme de Joseph Losey, Monsieur Klein , sendo alternando com uma foto de um prisioneiro de um campo de concentração.

À medida que o visitante entrasse neste site ouviria a voz do poeta e dramaturgo Antonin Artaud recitando “Pour en fini avec le jugement de Dieu” (“Para acabar com o Julgamento de Deus”).

Assim, guiado ou, mais precisamente, desguiado, através de uma luz cadente, percorria-se a exposição ora pela trilha sonora ora o visitante isolado fluía de um site para novo site nas várias vertentes da mostra onde a estrutura da informação se diferenciava ou a informação era mostrada em várias estruturas ao mesmo tempo. Em seu caminhar o receptor era exposto a distintas estruturas de significação em diferentes mídias e deixava relatado em um arquivo de computador a sua interpretação das narrativas imateriais ao qual tinha sido exposto.

Cada visitante registrava sua sensação e percepção da informação recebida em cada um dos diferentes “sites” da exibição, pois havia um terminal de computador em cada site visitado. Em 1986 um compreensivo relatório sobre os resultados colhidos em “Les Immateriaux” foi publicado pela socióloga Nathalie Heinich . Em 2009 a Tate Gallery de Londres fez uma revisão da exposição onde que Nathalie Heinich apresentou um esclarecedor artigo do qual ressaltamos o trecho:

“Sobre a exposição em si, a principal conclusão da minha pesquisa foi à variedade dramática e a instabilidade das percepções e reações, de um visitante para outro e até, por vezes, de um momento para o outro para o mesmo visitante.” Isto não foi apenas o resultado de mal-entendidos. Foi principalmente o resultado de um «efeito fronteira» ao deparar-se com o novo, em consequência da inovação na apresentação da informação. A dificuldade de formular uma opinião firme sobre “o que se deve dizer sobre isso” é algo constante diante do novo.

O Modo da Informação
A informação tem variada tipologia. Uma narrativa é um conjunto de expressões inscritas em uma base na multiplicidade de configurações de uma língua. Constitui um todo unificado passível de ser distribuído por um canal de transferência.

Uma alocução de significação é uma elaboração do autor, mas quando distribuída como narrativa associa em sua amplitude: a leitura, o receptor e uma interpretação ou reconstrução daquele discurso. O significado é um differend que vem de escritas que entram em diálogo; entram em contestação e se acumulam no leitor. No receptor está o ambiente exato em que se inscrevem todas as referências de uma interface que se transforma em idioma; a unidade do texto não está em sua origem, mas no seu destino e este destino não pode ser particularmente descrito: o leitor é um homem sem história, sem biografia, sem psicologia .

A passagem dos enunciados lineares para a de redes digitais produziu uma desfamiliaziração temática e um adiamento do significado que ficou espatifado nas trilhas de passagem dos textos interligados. No mundo digital sem centro definido configura-se uma adaptação na relação do receptor com a apreensão do conhecimento. O texto construído em emaranhados traz uma vinculação de cadeias imprevisíveis sem qualquer qualificação de famílias com temática hierárquica.

Conhecer, então, é como se apropriar de enunciados alinhavados por textos que se cruzam. Uma bricolagem que é individualizada para cada receptor. Uma nova estrutura e um novo fluxo de informação se estabelecem  que é em tudo muito semelhante à experiência dos Imateriais em Paris de 1985.

A escrita em seus contextos de existência admite a liberdade ao lidar com o texto livre das amarras da composição única. O código linguístico será sempre comum e permanece como pano de fundo, como um elemento silencioso e razoavelmente compulsório. Os enunciados são contingentes com o contexto do outro e acontecem em uma interface que é só uma mediação gráfica desta linguagem comum.

É preciso então estabelecer a diferença entre a linguagem estruturadora e a grafia volátil e mutável no dialogo dos enunciados. A escrita em cada um de seus formatos é uma tecnologia que se espelha, mas não se subordina ao código de lenta mudança. Para as estruturas em fluxo  existe um contínuo colóquio de enunciados entre geradores e receptores. Os envolvidos possuem afinidade em seus intentos o “differend” de uma língua em construção. Os jogos de informação acontecem com estruturas que não carecem de visibilidade, pois existem não pela presença básica, mas por uma visibilidade potencial de estar ali. Pois, um registro de significado é formado pelas inscrições que uma linguagem fixou em um determinado e suporte; uma agregação que compõe o todo significante. A percepção neste sentido envolve emoção e sensação que pode vir de um discurso oral, uma peça musical, uma imagem um corpo em movimento ou qualquer representação artística.

Convivemos intensamente com estruturas diferenciadas para os diferentes conteúdos, onde a sedução para o significado é  uma viagem por narrativas linkadas; a escritura traz um novo modelo para a percepção e para no imaginário da leitura. As bases das narrativas foram virtualizadas. Estamos convivendo com um novo padrão de inteligência  que interage com novos conjuntos simbólicos.

O imaginário adia o significado dos enunciados até que se percorram todos os caminhos, todas as conexões, todas as metáforas. Palavras e frases têm uma fissura para deixar passar significantes libertados de uma relação biunívoca. Uma possibilidade do imaginário de ir além de uma representação privilegiada para um signo atribuído. O entendimento na tecnologia atual das trocas de enunciados  é imediato . Persiste, contudo o antigo “surrogate”  da informação e do conhecimento.     As condições modais de uma mensagem e as suas vertentes de transferência influenciam a percepção do significado. Artefatos imateriais criados por um gerador para produzir sentido em outro são interiorizados de acordo com as possibilidades de elaboração do pensamento  dentro de determinado fluxo de conhecimento.  A exibição francesa de 1985 parece ter demonstrado este ponto. Ela não foi uma experiência só sobre informação ou sobre arte ou informação sobre arte; foi muito mais que isso: uma imbricação entre pessoas e seus produtos imateriais; emoção e percepção, conhecimento e saber. A intenção desta narrativa foi, também, documentar o esquecido evento tão importante para o lidar atual com a informação e seus conteúdos.

(AAB)
Les Immateriaux” – Nathalie Heinich   http://monoskop.org/Les_Immat%C3%A9riaux
“Imateriais pode ser lido completo em    http://www.dgz.org.br/abr10/Art_02.htm

Os três tempos da ciência da informação

 

3 tempos Roland Shainidze

 

Uma explosão de conteúdos aconteceu quando o volume de informação impressa disponibilizada no pós-guerra de 1945 mudou o regime de informação existente e necessitou de um novo instrumental de: recursos humanos, acervamento, processamento e recuperação dos documentos estocados para atender a um novo fluxo da demanda. Hoje com a condição online os estoques e os fluxos de informação, renomeados para “Big Data”, são multidirecionados e levam condições virtuais em seu desatamento, quando o tempo se aproxima de zero, a velocidade se acerca do infinito e os espaços são de vivência pela não presença.

A chegada de uma sociedade eletrônica de informação modificou a delimitação de tempo e espaço dos conteúdos em relação aos receptores. Mas, a explosão de informação de que discorriam Vannevar Bush e Dereck de Solla Price no ambiente de pós guerra mundial foi minorada pelo computador no tempo possível.

Penso que existem  três tempos na ciência da informação sem colocar uma separação das suas  práticas e ideias em tempos já fechados. A intenção é assinalar o pendor para um determinado foco, de acordo com o passar do tempo:

– Tempo da gestão e controle da informação  indo  1945 à 1980;

–   Tempo da interiorização do conhecimento  entre 1980 à1995;

–     Tempo do ciberespaço de 1995 até os dias atuais.

 

3 t3mos

Ao indicar três tempos para a ciência da informação não se coloca uma separação de ideias e práticas em  tempos fechados. A intenção é assinalar a vertente para um determinado ponto, de acordo com, o pensar de cada época.

[tempo 1] As questões, de gerência de informação, por exemplo, tem uma constância, que prossegue  até os dias atuais. Mas durante os anos no pós-guerra, este era o principal problema a ser resolvido: ordenar, organizar e controlar uma explosão de informação tipo “big data”.   Assim, no tempo da gestão foi necessário estabelecer metodologias de redução de conteúdo completo do documento  usando indicadores deste conteúdo. Assim,  um documento de trezentas paginas, por exemplo poderia ser  substituído por:  suas indicações bibliográficas,  localização no estoque e um determinado número palavras chaves descrevendo o texto.

Auxiliava esta redução  um universo simbólico de ocasião substituindo a linguagem natural; uma linguagem, controlada, na intenção de ao usar menos palavras para identificar o texto na entrada para facilitar sua recuperação na saída. A era da gestão trouxe o esplendor das classificações, indexações, tesauros, medidas de eficiência de recuperação de textos, a sua relevância  e precisão considerando o estoque específico.

Mas, este era o problema de uma época e tinha de ser resolvido. Com a baixa no custo de armazenagem, o computador foi sendo liberado, para os problemas de processamento de conteúdos e foi possível, então, lidar com a questão do volume e do controle da informação. Contornado o problema gerencial do estoque da informação, a área passou a se ocupar com esquemas de como gerar conhecimento no individuo e para sua realidade a partir daquela informação acervada.

[tempo 2] A assimilação correta da narrativa de informação passou a ser  a intenção principal  do tempo de interiorização do conhecimento permitido pelas condições cognitivas do sujeito.  Existem controvérsias quanto às raízes do cognitivismo como um pensamento predominante do período. Parece haver alguma aceitação, que um início pode ter sido  um Simpósio sobre Teoria da Informação, realizado no Massachusetts  Institute of Technology  em setembro de 1956, onde, apresentaram artigos inéditos, figuras importantes do novo pensar como:  Herbert Simon, [1], Noan Chomsky [2] e Claude Shanhon [3].

O certo é que nos anos 60 encontramos os autores e atores estudando o comportamento da apropriação do conhecimento com as características do refletir cognitivista, que estava em todos os campos  e  uma a discussão sem uma base conceitual cognitivista corria sério risco de isolamento.  Na ciência da informação o cognitivismo foi iniciado nos anos setenta por: Nick Belkin [4], Gernot Wersig, U. Nevelling [5] e colegas. A condição da informação passou a ser sua “intensão” em gerar o conhecimento no indivíduo e em sua realidade.

O conhecimento  seria organizado em estruturas mentais por meio das quais um sujeito assimila a “coisa” informação. Conhecer significaria um ato de interpretação individual, uma apropriação do objeto pelas estruturas mentais de cada sujeito. Estas estruturas  não estariam pré-formatadas no sentido de serem programadas nos genes. As estruturas mentais são construídas pelo sujeito sensível que percebe o meio.

Com o foco na relação da informação e do conhecimento, modificou-se a importância relativa da gestão dos estoques de informação passando-se a apreciar a ação de informação na coletividade. Se antes havia uma razão prática e uma premissa técnica e produtivista para a administração e o controle dos estoques, agora a reflexão e a pesquisa passaram a considerar as condições da melhor forma de passagem da informação para a realidade dos receptores; a promessa do conhecimento teria que ajustar o indivíduo, seu bem estar e suas competências para lidar com narrativas de informação. A  premissa produtivista da gestão transformou-se em promessa de saber.

[tempo 3] Localizamos o tempo do ciberespaço, como o momento, a partir de 1990 em que  a relação informação e conhecimento assumiram um novo status após a internet e a  world wide web. Embora, os primeiros esforços de uma rede mundial de computadores seja mais remota foi só em 1989 que Tim Berners-Lee, cidadão inglês, tecnologista da informação, trabalhando no European Organization for Nuclear Research, Center – Cern, escreveu os primeiros softwares que permitiram a atual configuração gráfica da web e a partir daí o desenvolvimento popular da Internet.

Os espaços de informação em uma visão simplista seriam os estoques institucionalizados de informação. Sempre que os delimitadores destes o espaço incluírem o desenvolvimento de uma condição  pensamento e uma escrita haverá ambiente para o se estabelecer diferentes tempos de informação como na figura 1.

Pierre Lévy desenvolve uma teoria sobre os espaços antropológicos, reservando um   espaço para o saber . É neste espaço que se desenvolve a sua proposta de inteligência coletiva. O espaço antropológico é reconhecido por Pierre Lévy  como um “sistema de proximidade próprio do mundo humano”. O qual depende de técnica, linguagem, cultura, significações, convenções, representações e emoções humanas. Nestes espaços de Lévy podemos adequar os três tempos da ciência da informação.

Um espaço antropológico nasce da “interação entre pessoas”. Os espaços antropológicos são como super espaços. O que é de grande valor em um espaço pode não ser em um outro. Daí a importância de reconhecer as condições dos espaços nos quais vivemos e daqueles os quais somos levados a viver. (Lévy, 1999). Nestes espaços de Lévy podemos adequar os três tempos da ciência da informação.

Outros autores buscam delimitar espaços de vivência e convivência. Em seu livro “Man place in the nature”, Teilhard de Chardin passa de uma espaço da biosfera inicial para uma noosfera de hominização da espécie caracterizada pela condição do pensar. No seu livro “A condição humana” Hanna Arendt,  relaciona três espaços da vida ativa: o labor o trabalho e a ação.  A ação é o espaço da condição humana exercida em conjunto com outros  homens, quando este exerce a sua condição de inteligência para introduzir o  conhecimento no seu espaço de convivência.

Em todos os espaços projetados por ideações diferentes poderemos sempre associar diferentes tempos de relacionamento com a informação como os colocados na figura 1.

Aldo de A Barreto, maio 2014

 

Indicações bibliográficas

[1] Simon, H.A. (1989). Prospects for cognitive science. Conference Report, International Conference on Fifth Generation Computer Systems, Tokyo, 1988. Institute for New Generation Computer Technology, 21-35.

[2] Chomsky,N.,  Logical Syntax and Semantics, Language. January-March, 1955.

[3] Shannon, C. e Weaver, W., The mathematical theory of communication. Urbana: University of Illinois Press,1949. 117p

[4] Belkin, N., , Robertson, J.,  Stephen E. Information Science and the phenomena of information. Journal of the American Society for Information Science – JASIS, v.27, n. 4, p.197-204, July-August 1976

[5] Wersig, G., Nevelling, U. The phenomena of interest to Information Science. The Information Scientist, v. 9, n. 4, p.127-140, December, 1975.

[6] Pierre L.. Inteligência coletiva: Para uma antropologia do ciberespaço (em português). 5ª edição edição Loyola, 2007.

[7] Pierre Teilhard de Chardin, O Lugar do Homem na Natureza, Editor: Instituto Piaget, 1997.

[8] Arendt, Hanna. A Condição Humana. 10º ed. Rio de Janeiro: Ed. Forense.

[9] Bembem, A.C. A ciência da informação e os espaços antropológicos,dissertação mestrado, UES-Universidade estadual de São Paulo,2013

 

 

 

 

A responsabilidade do coautor

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No atual contexto de produtividade intelectual associada a salário e avaliação, como forma de impulsionar a produção científica institucional,  de programas de pós-graduação, é insinuado que alunos publiquem em coautoria com seus orientadores. A questão é delicada, pois não se considera coautor quem simplesmente auxiliou o autor na produção da obra literária, artística ou científica, revendo-a, atualizando-a ou dirigindo sua edição e apresentação por qualquer meio.

Desse modo, as monografias, dissertações ou teses têm uma característica dialogal, de conjunção de dois fluxos intelectuais, sendo um o autor e o outro o orientador coadjuvante, que apenas aconselha, orienta e dirige o aluno. A função do orientador é trazer à tona novas ideias, achados, ensinamentos que o fluxo criativo do orientando produzirá a seu modo. O orientador não escreve, não redige o conteúdo do trabalho; se agisse dessa maneira, estaria violando as regras da pós-graduação.

Assim, devido as condições de indução para uma maior produção científicas desejadas pelas agências reguladoras e de fomento da pós-graduação,  o autor legítimo  por querer maior visibilidade para o seu texto se acredita, também, impelido institucionalmente a ajuntar na autoria de seu texto docentes do programa. Desta coautoria, de fato ou de prestigio, participam docentes que contudo não realizaram efetivamente a operacionalização da escrita e diagramação do conteúdo  do documento que, contudo, levará o seu nome na cadeia da comunicação cientifica. Assim o aluno, um iniciante, na vida, na autoria e no seu relacionamento com a escrita comete, por vezes, fortes equívocos com a gramatica, a pontuação e a sintaxe e este material chega aos editores para publicação, e por vezes é publicado, como tendo a anuência de todos os autores: discentes e docentes.

A  coautoria na rede acirra as associações emotivas pela  interação e  traz  possibilidades de heranças  entrelaçadas de interesses individuais e corporativos. Daí o receio de que, boa margem das coautorias seja um desejo do aluno procurando reconhecimento e prestigio  ao associar docentes ao seu trabalho. Considerando o atual crescimento do  número de autores por texto e o tamanho   desta família de autores sem afetividade temática há um temor de que isso desgoverne a qualidade textual .

Esta múltipla  autoria prejudicada e prejudicial passa a percorrer os fluxos de comunicação e  por alguns anos subsiste nas cadeias de citações. Entendo  que a geração de ideais nas ciências humanas e sociais possui um discurso de criação  personalizado. Isto torna muito difícil indicar pela estrutura do artigo qual foi a participação de cada autor. Diferente das áreas de exatas onde na bancada do laboratório  pode-se qualificar a participação de cada pessoa para o processo que resultará na escrita.

A coautoria, ampliada na web, mostra as heranças entrelaçadas destes  interesses individuais e corporativos. Daí o receio de que uma margem destes artigos sejam gerados principalmente para garantir uma produtividade conciliadora com as agência de controle e o fomento das pesquisas.  Isto coloca um risco para as avaliações da produtividade em ciência e tecnologia e, também, para os pesquisadores/docentes que passam a figurar nesta cadeia de produtividade intelectual com artigos que pelas questões colocadas acima não mereceriam ter a sua autoria.

Aldo de A Barreto

2014

Leitura aconselhada:

Entre fetichismo e sobrevivência: o artigo científico é uma mercadoria acadêmica?

http://goo.gl/9Qz14z

A responsabilidade do autor

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“Está tudo na palavra. A lucidez traz um dom e um castigo.  Lúcido vem de Lúcifer, o arcanjo rebelde, mas é também é o luzeiro do amanhecer, a primeira estrela, a que mais brilha e a última a se apagar.  Lux e Ferous, Deus e Demônio, o prazer e a dor.    O silêncio da compreensão.”  (Pizarnic,A.) 

 

Um  artigo e publicado na Internet sobre citações bibliográficas se enganou em seus resultados, pois ao empregar dados secundários utilizou-os mal tomando a parte pelo todo.  Não conseguiu determinar com coerência ou exatidão o seu “corpus da pesquisa” que chamado de “recorte” ou o  retalho  é  da mais alta pertinência para um autor credenciar seu estudo ou sua obra.

 

É sempre um problema conhecer o que  o “corpus da sua pesquisa”,   que não é um simples corte de um todo mas, o recorte arbitrário de elementos que o pesquisador define para aplicar sobre eles uma metodologia e atingir o seu objetivo. Logo, a construção do corpus é uma escolha do pesquisador, que deve ser explanada e justificada no bom trabalho. Barthes define corpus como “uma coleção finita de dados determinada de antemão pelo analista”. Este recorte está dentro de uma população ou universo de dados: o conjunto de todos os elementos que possuem uma ou mais características em comum.

 

Após ter circunscrito o seu campo de análise o pesquisador tem três possibilidades: ou recolhe dados e faz incidir as suas análises sobre a totalidade da população coberta por esse campo; ou a limita a uma amostra representativa desta população; ou estuda apenas alguns componentes típicos, ainda que não estritamente representativas, dessa população, como um todo. A escolha é, na realidade, uma opção do investigador visto que na maior parte das vezes está  em conjunção com os objetivos da investigação.

 

O artigo, em questão, se enganou ao fazer um recorte nos dados utilizados, pois não definiu adequadamente nem o corpus nem o universo de sua pesquisa de forma adequada.  Ao fazer um recorte, que é uma fratura do universo, o pesquisador tem de avaliar e contornar todas as variáveis que incidem sobre aquele retalho para ser correto e lógico. O recorte quando feito sobre um universo de citações de artigos de determinada área, por exemplo, deve apreciar aspectos fundamentais do tema em questão. Um dos aspectos no tema citações é o fator de impacto, também chamado fator h, referente a configuração do pesquisador com suas citações.

 

Este fator de impacto das citações, ou h-index em inglês, é indispensável para quantificar a produtividade e o impacto de um cientista quando trabalhando com os seus artigos citados. Em outas palavras, o índice h o indica o número de artigos escrito pelo pesquisador que possuem uma determinada quantidade de citações. Um pesquisador com o índice pequeno, por exemplo, h = 5 , indica que ele tem 5 artigos que receberam pelo menos 5  citações;  com um com índice h = 15 ele tem 15 artigos com 15  citações; e assim por diante. O fator de impacto de um pesquisador em relação a sua produção científica modifica a conjuntura das citações e dos  estudo relacionados. O índice já é requerido pelo Currículo Lattes.

 

Um “recorte” em um estudo sobre citações, sem levar  em conta o  “fator de impacto” do pesquisador pode levar a uma sequela de interpretação; pode-se ter um artigo muito citado , mas que o pesquisador só tenha escrito este artigo em toda sua carreira. O que não o torna um pesquisador produtivo, mas um pesquisador de um único bom  artigo. Tem seu lugar  ponderado nas condições da comunicação cientifica mais não pode ser nunca indicado como o autor mais citado da sua área. Vale lembrar que tanto o número das citações como o fator de impacto está disponível,  facilmente, para o acesso de todos  através do Google Acadêmico e de outras bases credenciadas de contagem de citações.

 

O que torna um indivíduo um autor é um conjunto de condições capazes de aproximar seus discursos e estabelecer elos pertinentes com o pertencimento de sua escrita. Por isso, Foucault diz que as condições de identificação da autoria — literária, científica ou filosófica– constitui uma espécie de foco de expressão de uma “obra” com seu autor. A função de autor não se constitui de forma universal em todos os discursos. Mas, o autor é julgado o pai e proprietário de sua obra; e a ciência literária aprende, pois a respeitar o manuscrito e as intenções declaradas do autor e a sociedade postula uma relação verdadeira do autor com a sua obra. Isso deve ser respeitado em estudos e contagens sobre os autores e sua obra.

 

O autor não é aquele que se imiscui como o ordenador, disciplinador ou contador de qualidades…de uma escrita e sim aquele que a escreve do começo ao fim.  O que faz de um indivíduo um autor é o fato de, através de seu nome, ser possível demarcar os demais textos que lhes são atribuídos como sua propriedade,  por ter sido sua a escrita da coisa. A autoria do discurso escrito quando aliado ao documento revela e delimita o pertencimento do texto ao autor e ao campo do conhecimento. O autor já possui a propriedade do conteúdo que lhe foi conferida “res publica” e o discurso fala só o nome de um autor.

 

Vale lembra uma parte do artigo sobre “Definições exatas de má conduta científica” publicada na revista Fapesp de São Paulo em edição número 204 – Fevereiro de 2013 escrita por por Daniel Bueno.

 “Após avaliar centenas de publicações, um grupo de pesquisadores da Universidade de Barcelona, Espanha, e da University of Split School of Medicine, Croácia, constatou que, sem a formulação de políticas que definam explicitamente quais são os tipos de más condutas na ciência e quais procedimentos devem ser adotados, a padronização das boas práticas acadêmicas é dificultada.. …  

Dos 399 periódicos científicos analisados, 140 forneceram definições explícitas de má conduta. Falsificação foi diretamente mencionada por 113 publicações; fabricação de dados, por 104; plágio, 224; duplicação, 242; e manipulação de imagem, por 154.

 A interpretação de estatísticas possui enorme amplitude de reflexão;  os interessados em estudos de citação devem ter grande discernimento para não provocarem estudos de citações desgovernadas.

Aldo de Albuquerque Barreto

fevereiro 2014

A economia das mídias pesadas

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Para praticamente todos os setores da economia e da sociedade,  os planejamentos, programas e políticas da década de 1990 ou anteriores, tiveram que ser adaptadas devido a uma condição superveniente que modificou o mundo: a Internet e sua configuração gráfica,  a Web. No meio acadêmico esta nova condição afetou, em alguma forma, todos os campos de conhecimento, mas atingiu primeiro e mais forte aqueles que lidam com informação, comunicação, documentos e documentação.

 

A proximidade do leitor com a disponibilização da informação na nova economia digital tem uma incrível força de indução para a modificação da edição e leitura de conteúdos antes em papel para a formatação digital. A demanda por textos digitais utiliza diferentes formas através de diferentes canais,  mas a proximidade ao receptor é uma vantagem. O público que consome informação também a produz agara com facilidade participativa. Há um novo curso na edição e distribuição de textos para o formato da escrita e da fruição da leitura que é diferente do existia no mundo antes  da Internet.

 

Vivemos uma atualidade sem perceber suas reais modificações, pois não existe um distanciamento adequado para que possamos vivenciar as mudanças que estão acontecendo. Estamos  em um momento do presente como encenando uma performance “brechtiana” onde nosso atuar contracena com o estranhamento de nosso personagem, pois a memoriza de sua “fala” é de uma realidade que está no futuro.

 

A velocidade nas transações e a  socialização da web interferiram em todas as atividades relacionadas à condição humana mudando  praticas de fazer por tradição. Esta ingerência aconteceu forte nas áreas relacionada com a geração, distribuição e uso da informação.  O conhecimento que marcou este campo nos últimos 50 anos continua, contudo,  evitando a entrada das práticas novas e quer seguir desempenhando seu ofício com a ideologia tradicional e apaixonada do mundo dos impressos em papel e tinta.  As novas condições de escrita e leitura digital revelam que alguns intermediários do passado  estarão fora da cadeia de comercialização e distribuição das narrativas digitais.

 

A produção de conteúdo digital colocou todo o sistema da economia da leitura em questão. Se não há nenhum artefato físico a ser processado para venda, o que determinaria o preço a ser dividido entre editor, autor e livraria e como ficaria todo o resto do trabalho que era executado pelas tradicionais plantas de produção editorial? A digitalização termina com a enorme estrutura voltada para a impressão em papel e tinta. O mundo digital prescinde do trabalho de uma casa de edição de grande tamanho.

 

Este assunto quando tratado em bases técnicas e econômicas, não é mais uma discussão baseada no sentimento de fidelidade a qualquer tipo de mídia; todos aqueles que tratam com a informação em uma condição profissional não podem por afetividade a um suporte  ignorar um futuro que se delineia definitivo. A tecnologia estabelecida luta sempre para continuar e tenta fechar o mercado para técnicas emergentes. Acontece com todas as inovações em todas as épocas; mas uma nova tecnologia quando aceita pela sociedade suplanta a antiga para sempre. O navio que afunda deveria transformar o acabamento em um belo baile, onde a celebração do novo seria  mais importantes que a tragédia em si.

 

Quem visitar o site da “Amazon”, agora estabelecida no nosso país,  conhecerá as facilidades do acesso aquisição e recebimento do conteúdo digital. O livro impresso, quando comprado no exterior,  pode levar até tinta dias para chegar a sua destinação, passa por  alfândegas, oceanos de distância e vários entraves burocráticos no destino, acumulando custos. A versão digital estará no computador na biblioteca em minutos após a compra e quase sem  intermediação.

 

Mas apesar de qualquer formato vale lembrar que a recepção positiva da informação é a finalização de um processo de aceitação da  que transcende o seu uso em qualquer base, é um ato de apropriação, uma percepção que atravessa visceralmente o sujeito na afetividade de uma conexão bem realizada.  Este é o destino final e raro do fenômeno do conhecimento ao criar condições modificadoras  e inovadoras para o indivíduo e sua vivência.  Fluxos apropriados pela consciência em um processo que se realiza no mais oculto de sua subjetividade.

 

Aldo de A Barreto

2014

Releia também: Eu sou o espetáculo :

http://avoantes.blogspot.com.br/2009/10/eu-sou-o-espetaculo.html

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