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Remixing é a reelaboração e recombinação criativa de artefatos já existentes representando uma forma generalizada e polêmica de criatividade social online. Os defensores da cultura “remix”  falam destes trabalhos em termos de ecossistemas novos e criativos. Há um fluxo constante de mídia sendo compartilhada livremente na web, mas apenas uma pequena fração desses trabalhos é remixada.  Eles não são muito diferentes das obras originais e são construídos em cima delas.

A remixagem de artefatos culturais não é uma produção nova. Já no século 12 se fazia isso com o nome e decoupage que é a arte de decorar um objeto colando recortes de papel colorido atuando em combinação, mas prouzindo efeitos especiais em uma produção original. Um objeto como uma pequena caixa ou um item de mobiliário é coberto por recortes de revistas ou de jornais. Cada camada é selada com verniz  até que o resultado se parece um novo trabalho. A “Pyramid” (também chamado pyramage) é processo semelhante ao decoupage. No “Pyramid” uma série de imagens idênticas são cortadas, em formas cada vez menores, e fixadas com espaçadores de espuma adesiva para criar um efeito de terceira dimensão.

A origem da decoupage vem da Sibéria, onde tribos nômades  cortavam feltro para decorar os túmulos de seus mortos. Da Sibéria a prática foi a China e por volta do século 12 cortes de papel estavam sendo usados para decorar lanternas chinesas. No século 17 a Itália, especialmente  Veneza, estava na dianteira do comércio com o oriente e através destas relações comerciais o “remix” entrou no ocidente.

Quando escrevemos um artigo estamos remixando ao utilizar, mais ou menos,  da referência a outro autor trazendo ao nosso texto o seu pensamento  e suas palavras.  A construção de uma escrita individual torna-se um “remix” ou uma decoupage da qual participam varias vozes. Refletimos e reconstruímos nosso pensamento através de nosso estoque mental de escritas múltiplas assimiladas, daí a importância da bibliografia em um texto escrito como indicando o mapa que seguiu nosso imaginário.

Um emissor de conteúdo ao formar sua configuração de ideias  em uma peça escrita é um autor ou um “citador”.  A originalidade de sua reflexão  se aquilata  por um pensar individualizado e livre mesmo tendo inspiração de seu arcabouço de influência cognitiva. O citador arranja em um documento, que pode ser relevante e de interesse, uma remixagem do que os outros disseram sobre o tema tratado. Caso o número de linhas de um texto corresponda, em mais de cinquenta por cento, a citações do pensamento e com palavras de outros  não se tem mais uma autoria única do texto, mas uma remixagem tentando construir nova qualidade.

Assim , também, o texto digital permite a qualquer pessoa estabelecer laços com outros textos fora de um documento central e estabelecer um link com outro  conteúdo que está acessível ao público em qualquer arquivo da Internet. Um autor pode criar um  “metadocumento” através da ligação a outros conteúdos digitais ou redirecionar seu leitor para fragmentos de explanação do seu tema. Os caminhos do hipertexto, utilizando a liberdade da Internet, estão livres das amarras do direito autoral, pois o link hipertextual é mais uma ligação de referência do que uma citação de conteúdo.

O hipertexto por sua natureza não é hierárquico;  é sem fronteiras e cada vez mais  se amolda por linkagem para outros enunciados nos textos paralelos na web;  é como construir uma bricolagem, onde cada junção de pedaços constrói,  por remixagem, em um novo ajuntamento de saber. Esta bricolagem que só se fecha no infinito é individualizada nos desenhos que cada leitor caminhante realiza no transcurso do passear por mosaicos de uma consentida mixagem cognitiva.

Aldo de Albuquerque Barreto

- Ver mais em  ” The Remixing Dilemma: The Trade-off Between Generativity and Originality, http://mako.cc/copyrighteous/the-remixing-dilemma

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