Um formato de informação era composto pelas inscrições gráficas representação de uma linguagem colocados em uma determinada base fixa de suporte; uma agregação que compondo um todo simbolicamente significante e a sua inter-relação com este todo. Um texto linear percorre o significado seguindo um destino de linha reta; sem desvios, direto a um final estruturalmente requerido pelo formato. jà uma escritura digital é denunciada pelo traço de uma escrita com a intenção em se aproximar de uma nova grafia, ainda em se fazendo. A escritura digital é de alguma forma, externa ao código comum, pois agrega outros sentidos ao entendimento e não se prende a visão linear,de folhetim.
A atualidade mostra, sem muitos terem percebido, uma mudança estrutural no formato da informação que esta deixando o papel, a celulose, o vinil e a tinta. Convivemos agora, intensamente, com modelos abertos sem territórios fixos e operamos em um o estado emotivo do pensamento com aquela sensação de não conseguir ainda achar as palavras certas para finalizar o que queremos dizer.
Cada vez mais lemos através da tela do computador pessoal ou dos variados gadgets eletrônico de leitura. São pixels de fósforo, que ligam e desligam como lampiros que se dissipam imitando os mecanismos do próprio pensar. O interesse na leitura digital e suas condições vagueantes, é a sedução da viagem por espaços sem formatos ou territórios demarcados. Virtualizam-se as bases fixas de inscrição das narrativas. O que não significa que o conteúdo destes formatos acabou: o livro, a fotografia, a musica, o cinemas já estão digital. O antigo formato esta em acabamento progressivo e esta opção é técnica é econômica e é mais justa socialmente.
Os jornais de hoje, 20 Janeiro de 2012, dão conta do fechamento da Kodac de sua máquina e seus suportes fílmicos, inclusive o kodachrome, ícones da fotografia em celulose há 130 anos. A Polaroid já tinha ido antes, a empresa fechou suas fábricas de máquinas e filmes para seu apetrecho de fotos impressas instantâneas. Mas, nunca se fotografou tanto como agora: fotografias em alta definição digital.
Os cinemas já deram adeus ao velho 35 mm. Sistemas de projeção digital facilitam a vida de distribuidores e exibidores. A qualidade digital da projeção melhora as condições de recepção. Acabaram os problemas de armazenamento e distribuição difícil e onerosa. O filme é transformado em arquivo digital e armazenado em um servidor que o envia por satélite para recepção em todo o mundo.
As gravadoras começam a comercializar música em mp3 para venda direta ou em cartões digitais só de leitura que como um pen drive traz mais músicas que um CD. Um cartão magnético de memória é inserido no “slot” USB do aparelho de som. Não risca, não arranha, não mofa, o espaço de armazenagem é muito pequeno, o custo menor. Quem colecionava vinil deve abrir espaço para a coleção de cd-rom de musica já está se despedindo e levando com ele o primo rico bluray.
A transmissão da voz e de músicas por rádio digital foi aprovada pelo governo. A nova tecnologia começa a funcionar em caráter experimental, em 12 Capitais. O rádio digital permite a compressão dos sinais de voz, abrindo o canal de rádio para a transmissão de dados como textos e imagens. O rádio digital permitirá a transmissão de até três programas simultâneos, na mesma frequência, para públicos diferentes.
Os suportes físicos e fixos de inscrição da informação acabaram. Saudosistas se agarram as tecnologias antigas, pois mudar é sempre difícil operacionalmente e psicologicamente. Mas é uma benção podermos viver o nosso tempo, livre das amarras de um passado que …passou.
Aldo de A Barreto


1 comentário
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janeiro 20, 2012 às 1:48 pm
João VItor Hanna
Excelente colocação meu caro!
A discussão sobre formatos e suportes específicos para determinada atividade de disseminação de informação, em um mundo cada vez mais dinâmico e OPEN (inclinado a colaboração) me parece totalmente obsoleta.
Alguém teve de aprender a lidar com o Ariel para poder transmitir documentos alguma vez?
Os formatos proprietários renderam-se à universalidade e a construção de conteúdos passou a incluir o próprio usuário como agente ativo neste processo.
Tempos de adaptação profissional.